
*Eduarda Brandão
O rock brasileiro mostrou, neste fim de semana, que sua história não ficou presa nos anos 1980. No C6 no Rock, em São Paulo, artistas de diferentes gerações se encontraram no palco para revisitar obras que ajudaram a transformar a música nacional. Os homenageados foram Rita Lee e Cazuza.
No sábado (22), o tributo a Rita Lee reuniu artistas como Baby do Brasil, Fernanda Abreu, Sandra Sá, Alice Caymmi, Marina Sena, Catto, Letrux, Miranda Kassin e Beto Lee. O repertório percorreu diferentes momentos da carreira da cantora e compositora, com músicas como Saúde, Nem luxo, nem lixo, Doce vampiro, Jardins da Babilônia, Ovelha negra e Agora só falta você.
A presença de artistas mais jovens ao lado de nomes que participaram da efervescência musical das décadas de 1970 e 1980 foi um dos pontos marcantes da homenagem. Para Baby do Brasil, dividir o palco com essa nova geração teve um significado especial.
“Eu me senti no jardim da infância”, brinca Baby, em entrevista ao Correio. A cantora conta que se lembrou de quando ela própria se aproximava de artistas que admirava, como Elza Soares e Elis Regina. “É muito gostoso, é muito gratificante saber que você semeou, vai ter que colher. Então, essa colheita está sendo deliciosa”, afirma.
Para Baby, a influência de Rita Lee sobre a música brasileira atual ultrapassa o gênero musical. O legado, segundo ela, está principalmente no comportamento e na capacidade de romper padrões.
“O grande lance da questão da Rita Lee não é um rock brasileiro. É o comportamento rock’n’roll”, diz. “Porque o rock’n’roll é mais do que um ritmo. Ele é uma frequência de alegria, de felicidade. Ela vem com rock’n’roll, maneira de ser, maneira de ver, maneira de quebrar paradigmas.”
A proposta de aproximar diferentes gerações ganhou continuidade no domingo (23), com a homenagem a Cazuza. Intitulado Todo Amor que Houver Nessa Vida, o tributo reuniu Arnaldo Antunes, Frejat, Johnny Hooker, Léo Jaime, Leoni, Lobão e Maria Gadú para revisitar a obra do cantor e compositor.
Maria Gadú destacou a diversidade de artistas presentes no palco. Para ela, o encontro mostrou que a música de Cazuza, assim como a de Rita Lee, não cabe em uma única definição de gênero.
“Foi muito bom. Muito, muito gostoso ver tanta gente que participa da construção da música brasileira em diversas áreas”, afirma ao Correio. “Nada ali, como o Cazuza, se limita ao rock, ao estilo. Todo mundo é muito múltiplo.”
Gadú citou a trajetória de artistas como Leoni, Frejat, Léo Jaime e Arnaldo Antunes para exemplificar essa multiplicidade. O encontro, segundo ela, funcionou como um “caldeirão” de diferentes experiências da música brasileira. “Acho que foi um caldeirão muito bom”, resume.
A cantora também chamou atenção para a quantidade de músicos que, mesmo sem necessariamente estarem associados apenas ao rock, ajudaram a construir a sonoridade da música brasileira. Entre eles, destacou o baterista João Barone e o saxofonista Milton Guedes.
“Ver o Barone tocando bateria, eu fico tão contente. Milton Guedes, que gravou tudo o que a gente conhece que tem sax no Brasil”, afirma. Para Gadú, estar ao lado desses nomes tornou a homenagem ainda mais especial.
Antes do tributo a Rita Lee, o sábado (22) foi marcado por apresentações que revisitaram discos fundamentais do rock brasileiro dos anos 1980. A Plebe Rude abriu a programação com O Concreto Já Rachou, de 1986, seguida por Paulo Ricardo, que levou ao palco Rádio Pirata Ao Vivo. Na sequência, os Titãs revisitaram Cabeça Dinossauro, um dos álbuns mais importantes da trajetória da banda, e Os Paralamas do Sucesso apresentaram Selvagem?, também lançado em 1986.
A programação de domingo (23) também promoveu outros encontros entre gerações. Ira! apresentou Vivendo e Não Aprendendo; Blitz, com participação de Fernanda Abreu, revisitou As Aventuras da Blitz; Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, com André Frateschi, apresentaram Dois; e Marina Lima, com participações de Lobão e Liminha, levou ao palco Fullgás.
*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

Diversão e Arte
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