
A opção por escrever a respeito de temas sensíveis, como violência de gênero e abuso, faz parte de esforço para mudar esse cenário, diz Taís Morais. A autora lança, nesta quinta-feira, na Livraria Sebinho, Abismos de Tatiana, biografia de uma pessoa do círculo de amizade dela que passou por experiências dolorosas desde a infância. O evento vai das 17h às 20h.
As primeiras conversas entre Taís Morais e Tatiana, pseudônimo utilizado para não expor a vítima, deram-se em encontros com amigos em comum. Ao descobrir afinidades, as duas estreitaram a relação. Foi assim que a jornalista e escritora sugeriu que as histórias deveriam ser reunidas em livro. Depois da recusa inicial, a proposta de manter sob sigilo os nomes verdadeiros levaram o projeto adiante.
"Não foi nada fácil para ela", lembra Morais, cujo processo entre escuta e escrita levou um ano. O livro relata situações de abuso sexual na infância, violência doméstica, abandono e diagnóstico de transtorno bipolar. "Procurei contar uma história dolorosa com linguagem leve e acessível, capaz de aproximar o leitor da personagem e de sua trajetória", conta a autora.
Ao longo dos relatos, Morais diz ter percebido como muitas mulheres vivem em "prisões invisíveis e carregam dores silenciosas". "A dor de Tatiana me impediu de me calar. Afinal, todos os dias vemos mulheres e crianças tendo suas vidas destruídas pela violência." Os fatos descritos são todos verificáveis. Documentos como boletins de ocorrência também compõem a obra. "Não acrescentei, não exagerei nem inventei nada."
Taís Morais também pesquisou a ditadura militar brasileira, o que resultou no livro-reportagem Operação Araguaia - arquivos secretos da guerrilha, vencedor do Prêmio Jabuti em 2006. O mesmo sentimento de revolta, contra a autora, atravessa os dois trabalhos. "A diferença é que a ditadura acabou, enquanto os crimes sofridos por Tatiana continuam acontecendo todos os dias", lamenta.
*Estagiário sob supervisão de Severino Francisco
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