Uma história de Cebolinha que faz críticas ao uso da inteligência artificial na criação artística está viralizando entre internautas do nicho literário. Intitulada Cebolinha e Jeremias em Inteligência Superficial, a trama é a principal história da edição nº 2 da 4ª série da revista Cebolinha, publicada em maio de 2026.
Na história, Cebolinha e Jeremias começam a perceber que os demais personagens do bairro do Limoeiro estão diferentes. Alguns aparecem com mais dedos, enquanto outros têm cores, roupas e características distintas das versões tradicionais.
Em determinado momento, Magali aparece dizendo: “Acho que ainda não me acostumei com os meus seis dedos”.
A dupla passa então a questionar o que aconteceu com os desenhistas da Turma da Mônica. É quando surge o vilão da história, o Fantástico Doutor Spam. Ele revela que os personagens não precisarão mais de desenhistas porque foram substituídos por versões criadas por sua nova invenção, a máquina de “Inteligência Superficial”.
Segundo o vilão, a tecnologia tornaria desnecessário o aprendizado humano, já que a máquina seria capaz de fazer praticamente tudo, inclusive “filmes, músicas, desenhos...”. Doutor Spam passa a defender que os seres humanos se tornaram obsoletos diante da nova ferramenta.
A própria máquina, no entanto, começa a apresentar falhas. Os "Cebolinhas" criados por ela, por exemplo, continuam sugerindo os mesmos planos “infalíveis” que o personagem já havia colocado em prática anteriormente, e que não deram certo.
No desfecho, a turma derrota Doutor Spam e os personagens voltam às suas versões originais. Cebolinha tenta jogar a máquina de “Inteligência Altificial” fora, mas Jeremias pondera que o problema não está necessariamente na tecnologia.
“Ela poderia nos ajudar com avanços na ciência e medicina. Mas são as pessoas gananciosas que tentam usá-la para substituir pessoas de verdade. Talentos de verdade [...] Não existe substituto para o talento humano”, explica o personagem.
Posicionamento da MSP
A mensagem apresentada na história retoma um posicionamento que a Mauricio de Sousa Produções já havia manifestado publicamente. Em abril de 2025, a empresa se pronunciou sobre o uso de inteligência artificial para reproduzir os personagens da Turma da Mônica.
Na ocasião, a MSP reconheceu “o valor da inteligência artificial como ferramenta de experimentação e inovação”, mas ressaltou que a tecnologia deveria ser utilizada como apoio à criação artística, e não para substituí-la.
“Mas reforçamos que ela deve atuar como apoio, e não substituição, à criação artística”, afirmou a empresa em nota à imprensa.
O posicionamento pode ser visto nas entrelinhas na história de Cebolinha: a tecnologia não é apresentada como necessariamente negativa, mas como uma ferramenta cujo uso pode se tornar problemático quando empregada para retirar o trabalho e o talento de artistas humanos.
