
Feito Pipa, de Allan Deberton, será o representante brasileiro na disputa por uma indicação ao Oscar 2027. A escolha do longa para concorrer a uma vaga entre os indicados a Melhor Filme Internacional foi anunciada nesta quarta-feira (16/9) pela Academia Brasileira de Cinema.
A produção acompanha Gugu, interpretado pelo ator mirim Yuri Gomes, um garoto que sonha em ser jogador de futebol e foi criado pela avó, com quem mantém uma relação de liberdade e afeto.
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A rotina dos dois começa a mudar quando a saúde dela se fragiliza. Com receio de ser separado da avó, o menino tenta esconder a situação, até precisar enfrentar a possibilidade de ir morar com o pai. Teca Pereira e Lázaro Ramos completam o trio central do elenco.
Veja trailer:
Filmado em Quixadá, no Ceará, Feito Pipa aborda o amadurecimento de Gugu a partir das relações familiares e das questões de pertencimento que atravessam a infância do protagonista. Deberton também assina o roteiro ao lado de André Araújo. A história tem como ponto de partida lembranças da infância dos dois em Russas, no interior cearense.
Como é feita a escolha brasileira?
A definição do representante nacional cabe à Comissão de Seleção formada pela Academia Brasileira de Cinema. O grupo responsável pela escolha neste ano reúne 15 profissionais da indústria cinematográfica brasileira.
Antes de chegar ao nome de Feito Pipa, a seleção passou por duas etapas. Quinze longas-metragens foram inscritos e considerados aptos a participar do processo. Desse conjunto, seis avançaram para a pré-seleção, até que a comissão definisse o título que representará o país.
A escolha, no entanto, não significa que Feito Pipa já esteja indicado ao Oscar. O longa entra agora na disputa por uma das vagas da categoria de Melhor Filme Internacional. A lista de indicados à 99ª edição da premiação será anunciada em 21 de janeiro de 2027. A cerimônia está marcada para 14 de março.
Novas regras para Melhor Filme Internacional
A disputa por uma indicação a Melhor Filme Internacional terá uma mudança importante a partir do Oscar 2027. Até a edição anterior, cada país ou região participante podia selecionar um único representante para buscar uma vaga na categoria.
Agora, determinados filmes em língua não inglesa também poderão entrar na corrida ao vencer prêmios específicos em festivais internacionais reconhecidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Para a edição de 2027, essa possibilidade vale para produções vencedoras das premiações classificatórias previstas nos festivais de Berlim, Busan, Cannes, Sundance, Toronto e Veneza. Com isso, passam a existir dois caminhos de entrada na disputa: a seleção oficial feita pelo país ou região e a classificação obtida por meio desses festivais.
Também muda a forma como a indicação é atribuída. A partir desta edição, o indicado passa a ser oficialmente o próprio filme, em vez do país que o selecionou. Caso a produção vença, o diretor receberá o prêmio em nome da equipe criativa e terá o nome gravado na estatueta ao lado do título da obra.
Até então, a distinção era atribuída ao país. Foi dessa forma, por exemplo, que Ainda Estou Aqui recebeu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
A seleção nacional também é uma particularidade dessa categoria. Nas demais disputas do Oscar, as produções podem ser inscritas pelos responsáveis pelos filmes, desde que atendam às regras de elegibilidade estabelecidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Quantas indicações o Brasil já recebeu?
O Brasil chegou seis vezes à lista de indicados ao Oscar na categoria hoje denominada Melhor Filme Internacional. A primeira nomeação ocorreu com O Pagador de Promessas, enquanto a mais recente foi conquistada por O Agente Secreto.
Nesse intervalo, outros quatro longas brasileiros também disputaram a estatueta, e Ainda Estou Aqui tornou-se o primeiro representante do país a vencer a categoria.
Confira a lista completa:
- O Pagador de Promessas (1962) — Anselmo Duarte;
- O Quatrilho (1995) — Fábio Barreto;
- O Que É Isso, Companheiro? (1997) — Bruno Barreto;
- Central do Brasil (1998) — Walter Salles;
- Ainda Estou Aqui (2024) — Walter Salles;
- O Agente Secreto (2025) — Kleber Mendonça Filho.
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