
Na noite de hoje, o Cine Brasília irá presenciar a diversidade que a Mostra Competitiva Nacional oferece. O longa Privadas de suas vidas, dirigido por Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner, traz um terror gore com humor ácido. Na trama, Malu (Martha Nowill) perde um filho, e lidando com o luto, passa a enfrentar conflitos familiares e suas barreiras emocionais.
O diretor Gustavo Vinagre afirma que sua relação e a de Gurcius com o cinema de gênero é bem antiga. Gustavo afirma que o projeto fez com que ele entrasse no terror sem abandonar outros interesses narrativos como o desejo, o constrangimento e personagens que não se encaixam muito bem naquilo que se espera deles. "O terror nos interessava porque ele permite tornar literal uma coisa que normalmente permaneceria psicológica ou social. Malu perdeu um filho num acidente envolvendo uma privada e, desde então, não consegue mais evacuar. Ela é uma personagem que está, literalmente, retendo alguma coisa", conta.
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Privadas de suas vidas também gira em torno de um conflito familiar entre a mãe e o filhe, no qual Malu tenta entender a não binariedade. "Podemos falar das privadas assassinas, da escatologia, do gore, mas o motor emocional é muito simples: uma mãe perdeu um filho e, por não conseguir elaborar essa perda, corre o risco de perder também o filhe que continua vivo. A família é também o primeiro lugar onde recebemos nomes, gêneros, expectativas e papéis. E Privadas é cheio de personagens tentando escapar das identidades que outras pessoas projetaram sobre elas", destaca Gustavo.
O Gurcius Gewdner ressalta que o projeto é sobre aceitação. "Um apelo para que os pais sejam mais compreensivos com os anseios dos jovens mesmo. Em um primeiro momento, às vezes, por conflito puramente geracional, você não entende certas coisas de seus entes queridos. Nesse âmbito familiar, a gente tenta falar sobre isso, sobre entendimento, aceitação, trazendo as questões trans não binárias, no âmbito da família", comenta.
Nascido em Brasília, Gurcius destaca que o Festival faz parte de seu imaginário como cinéfilo e cineasta. "É um filme muito especial, eu acho que é um ponto de partida maravilhoso para apresentar esse filme para o Brasil. A gente já exibiu ele em alguns países,a maioria em festivais de terror. A plateia do Festival de Brasília não é uma plateia exclusiva do terror. Talvez uma parcela desse público não esteja acostumada e o filme se torne ainda mais impressionante como cinema e como um exemplo da diversidade que o cinema brasileiro tem", reflete.
A estreia de Martha Nowill no terror brasileiro é a realização de um desejo profissional da artista. "É um gênero que eu sempre quis fazer. Quando a gente trabalha como atriz, a gente quer contar histórias, a gente quer mudar o mundo. Eu sempre quis fazer um filme de terror, isso sempre esteve no meu radar", comenta. Porém, mesmo sendo um gênero que atraia profissionalmente Nowill, pessoalmente, era uma vertente do cinema que não explorava. "É um contraste, porque eu queria fazer um filme de terror, mas eu preciso ver filmes de terror de dia. Os diretores me enviaram uma lista extensa de filmes e eu sentei e falei: quais que dão medo? quais que não dão?", brinca a atriz.
Para a atriz, o terror possibilitou a liberdade de sua intensidade cênica em frente das câmeras, o que no cinema, normalmente, é algo mais contido. "Foi um gênero que pude brincar. A câmera capta de forma mais precisa que o olho humano, então, muitas vezes, tem um trabalho de contenção. Mas no terror, na hora que fala: agora eu quero que você grite, quanto maior o grito, melhor", ressalta.
Diversão e Arte
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