Literatura

Fenômeno teen, Paula Pimenta estreia spin-off voltado à música

Autora com mais de 2 milhões de livros vendidos lança série destinada aos leitores infantojuvenis com a história de Juju, uma menina apaixonada por música

Paula Pimenta: escrita inspirada na vivência de adolescente -  (crédito: Álvaro Fráguas/Divulgação)
Paula Pimenta: escrita inspirada na vivência de adolescente - (crédito: Álvaro Fráguas/Divulgação)

Além de ser compositora, Paula Pimenta já foi professora de violão e de técnica vocal. A relação com a música sempre esteve presente na vida da autora que encanta os jovens leitores brasileiros e provoca filas intermináveis em bienais e feiras de livros. Depois de alguns anos escrevendo as histórias de Fani, a menina fascinada por cinema, a autora, agora, estreia uma nova série, A música da minha vida, na qual retoma personagens cujas vidas acompanha desde a infância. 

Paula é um fenômeno entre adolescentes Seus leitores costumam ter entre 12 e 18 anos e sua escrita tem o poder de afastá-los, ainda que momentaneamente, de telas e redes sociais, um feito que, segundo ela, os pais costumam celebrar. Autora com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, a mineira de Belo Horizonte tem seus livros de séries como Fazendo meu filme, Minha vida fora de série e Princesas modernas indicados nas listas de leituras escolares, o que faz com que abarque, também, leitores entre 10 e 13 anos. 

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A música da minha vida tem como protagonista a jovem Juju, sobrinha de Fani na série Fazendo meu filme, que agora chega à adolescência. "Essa série é um spin-off do Fazendo meu filme, a Juju é conhecida dos leitores, e eles vão gostar muito para matar a saudade. Agora, a Fani é 'tia Fani', a mãe da Fani é a vovó da Juju e elas estão ali como coadjuvantes. Quem nunca leu vai poder começar por esse livro, porque são histórias completamente independentes. E quem leu vai ter um pano de fundo", avisa a autora, que sempre parte de uma paixão das personagens para idealizar o universo criativo no qual elas vão transitar. No caso de Juju, esse ambiente é o da música, na qual ela descobre uma linguagem, um refúgio e um conforto. "Ela passa por problemas, bullying, muda de escola, e, ouvindo música, se sente melhor. Ela vê que a música pode tirá-la desse lugar e começa a aprender violão, a compor", adianta Paula.  

Paula Pimenta publicou o primeiro livro em 2001. Confissão era um pequeno livro de poemas publicado de forma independente. Foi apenas sete anos depois, no entanto, que ela começou a fazer sucesso. Fazendo meu filme 1 — A estreia de Fani foi lançado em 2008 e, graças ao boca a boca dos adolescentes que se identificavam com Fani, uma menina de Belo Horizonte cuja vida entre a escola e as descobertas da adolescência se assemelhava ao cotidiano dos leitores, ganhou as prateleiras infantojuvenis. As sessões de autógrafo de Paula começaram a ser disputadas, gerando filas imensas em bienais e um fandom espalhado por todo o país. As sequências do livro, três no total, foram inevitáveis, assim como o spin-off Minha vida fora de série. 

A receita do sucesso, Paula explica, não está em pensar diretamente nos leitores quando senta para escrever. "Desde o primeiro livro, escrevi para mim, queria ler um livro que não existia e escrevi. Lembro muito da minha adolescência enquanto estou escrevendo. E eu amo filmes, séries, música, livros, então escrever sobre isso me faz muito bem. E os leitores gostam também. Tem tanto de mim nas personagens!", conta a escritora, que conversou com o Correio sobre a nova série de livros.

Entrevista

O que tem nas suas personagens que os jovens leitores se identificam tanto?

Muita gente fala que a adolescência é uma fase muito conturbada, mas não concordo. É uma fase muito intensa da vida, com muitas descobertas, primeiras vezes, os amigos viram a família da gente. Fui descobrindo que adolescência éa mesma em qualquer geração. Muda a moda, a trilha sonora, mas os sentimentos e descobertas dessa fase são os mesmos em qualquer época, daí vem essa identificação. Alguns pais falam ‘você tirou minha filha da tela’, e falo ‘é porque levei a tela para o livro’. Meus personagens se comunicam por celular, falam no computador. A adolescência não é igual para todo mundo, mas todo mundo está vivendo essas descobertas nessa fase.

A leitura é uma prática em baixa no Brasil. A  6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2024, mostrou que o brasileiro lê, em média, 3,96 livros por ano e que, pela primeira vez, a população de não leitores ultrapassou a de leitores, sendo os que não leem 53% da população brasileira. Como os seus livros tentam burlar isso?

Quem não gosta de ler, acho que é porque não descobriu o estilo de livro que gosta de ler. Muita gente acha que ler é chato, melhor ver um filme, mas o livro é mais cheio de detalhes, você lê o pensamento das personagens. Livros são escritos em primeira pessoa. O livro é muito mais íntimo, você vê o que os personagens estão falando, vivendo. Quandoa pessoa pega o livro e vê a intensidade, isso é que pega, que vicia na leitura. E, a partir do momento que adquire o hábito,não quer mais largar.

E por que agora você escolheu a música como a paixão que move a personagem?

Acho que tem muito dessa coisa que a música traz, que faz viajar. A música, você coloca no contexto da sua vida, enquadra na sua vida. Ela muda o humor da gente. Quando estou escrevendo, coloco música para entrar no clima. E muda mesmo, me dá muita inspiração. E mostro muito isso no livro, como a música tem esse poder. A dificuldade é compor. Falo muito do processo de composição, que é uma coisa  que muita gente não tem nem ideia de como é. 

Qual a trilha sonora de A Música da Minha Vida?

Coloco coisas do meu próprio gosto, são músicas que gosto, mas tentei mesclar músicas atuais com antigas. Juju fala que é eclética, que gosta de tudo, de sertanejo a rock, então tem sertanejo, MPB, pop internacional, pop anos 1980.

Você já acompanhou várias gerações de leitores desde Fazendo Meu Filme. O que mudou na maneira como adolescentes e jovens se relacionamcom música, cinema, literatura e romance desde que você começou a escrever? E como essas mudançasa parecem em A Música da Minha Vida?

Acho que o que mais mudou foram as redes sociais. O primeiro Fazendo Meu Filme, comecei em 2005. Naquela época, era muito mais e-mail, a comunicação era mais lenta, não era tão ágil quanto hoje. Isso que a gente vive hoje em dia é muito mais ágil, a forma de se comunicar, isso tudo coloquei nos livros. Fazendo Meu Filme tinha muito mail, agora tem até transcrição do áudio. A forma de comunicar foi o que mais mudou. Acho que não muda a imaginação, gosto muito de ir mesclando o texto corrido com mensagens, bilhetinhos, para não ficar a leitura corrida só. O adolescente gosta muito disso. 

O que A Música da Minha Vida representa hoje para você, depois de tantos anos vendo seus personagens crescerem junto com seus leitores? E o livro tem uma nova linguagem ou você investiu nas técnicas que já domina?

Acho que o estilo de escrita, eu já dominei mesmo, é muito gostoso voltar para esse universo do começo. Minhas personagens vão crescendo. Foi bem diferente dessa vez. Agora, tenho uma filha de 8 anos, então foi diferente escrever, pensei ‘nossa, daqui a pouco ela está nessa fase’. Projetei muito, escrevi pensando nisso. Isso mudou muito em mim, o jeito que comecei a enxergar as personagens. Antes, a referência que eu tinha era projetando minha adolescência e agora, projeto a dela.

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postado em 22/09/2026 05:00
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