
O jornalista e engenheiro elétrico Dioclécio Luz narra, em seu novo livro, O flagelo atômico, o fracasso da tentativa humana de controlar a energia nuclear. A obra, resultado de quase 10 anos de pesquisa, será lançada nesta sexta-feira (25/9), no Sebinho, em Brasília.
Para escrever o livro, o autor entrevistou 16 pessoas, pesquisou 96 livros e revistas e consultou 25 documentos, incluindo relatórios de CPI e auditorias. A conclusão de Luz é que a energia atômica se mostrou indomável, gerando altos custos, corrupção e mortes.
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A história começa em 1933, quando cientistas alemães descobriram a reação em cadeia, que abriu caminho tanto para geradores de energia quanto para uma bomba. Em 1939, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial e desenvolveram a bomba atômica, lançando duas sobre o Japão em 1945. O ato matou 300 mil pessoas em um país que já negociava a rendição, o que Luz classifica como terrorismo.
A corrida nuclear no Brasil
Durante a ditadura militar iniciada em 1964, o Brasil entrou nessa corrida. Os militares firmaram parceria com a Alemanha para construir usinas, que poderiam gerar combustível para uma bomba. Antes, compraram dos Estados Unidos a usina de Angra I, apelidada de “vagalume” por sua instabilidade.
O acordo com a Alemanha previa dezenas de usinas a um custo exorbitante, mas o programa não teve sucesso. Angra II foi construída a valores estratosféricos, enquanto Angra III está em obras há meio século. Segundo o autor, é “o melhor negócio do mundo para as empreiteiras: uma obra que não acaba nunca”. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que as energias solar e eólica seriam mais baratas.
Um segundo programa secreto foi desenvolvido pela Marinha para dominar o ciclo completo da energia nuclear e construir um submarino. O custo do projeto é desconhecido e, após 50 anos, o submarino continua em construção.
Falta de transparência e perigos
Luz afirma que as autoridades do setor, especialmente os militares, omitem dados e desprezam a sociedade. Segundo ele, a Lei de Acesso à Informação não funciona para as Forças Armadas. Um exemplo é a negação da existência de um buraco para testes de uma bomba atômica na Serra do Cachimbo (PA), mesmo com confirmações de presidentes e ministros.
O livro também aborda os perigos dos acidentes nucleares, como o ocorrido com o Césio 137, em Goiânia, em 1987. O autor argumenta que não foi um acidente, pois as autoridades sabiam do risco da "bomba de Césio", que foi abandonada em um prédio sem portas ou janelas.
O autor destaca que todo o conteúdo é baseado em fatos, com fontes definidas e sem uso de fontes anônimas. Com formação em engenharia elétrica (UFPE) e mestrado em comunicação (UnB), Dioclécio Luz escreveu a obra com linguagem acessível. Ele também é autor do livro A escola do medo: vigilância repressão e humilhação nas escolas militarizadas.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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