
Drauzio Varella, de 83 anos, pretende disputar a cadeira da Academia Brasileira de Letras (ABL) que ficou vaga após a morte do jornalista Zuenir Ventura, na segunda-feira (22/9). O médico e escritor deve formalizar a candidatura depois da cerimônia em que os acadêmicos prestam homenagem ao integrante falecido e a vaga é oficialmente aberta.
Antes do início do processo eleitoral, a ABL realiza a chamada "Sessão da Saudade". Na ocasião, os integrantes da instituição relembram a trajetória do acadêmico diante de familiares. O presidente da Academia também apresenta o histórico da cadeira, desde o fundador até os ocupantes mais recentes, e, ao fim da cerimônia, declara aberta a sucessão.
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É somente a partir desse momento que os interessados podem apresentar a candidatura. Drauzio deverá entregar sua inscrição dentro desse rito.
Da medicina aos livros
Paulista, Drauzio construiu uma trajetória que combina medicina e produção literária, além do trabalho de divulgação de informações sobre saúde. Ao longo dos anos, tornou-se conhecido por participações em programas de rádio e televisão e, posteriormente, ampliou essa atuação para a internet, com um site e um canal no YouTube.
Como escritor, publicou seis livros. Entre eles está Estação Carandiru, obra dedicada à experiência do médico com detentos do antigo presídio paulistano. O livro recebeu o Prêmio Jabuti na categoria "não-ficção", em 2000.
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A história também chegou ao cinema três anos depois. Em 2003, Estação Carandiru foi adaptado para as telas pelo diretor Hector Babenco, em produção que teve Rodrigo Santoro no elenco principal.
Como funciona a escolha na ABL
Criada em 1897, a Academia Brasileira de Letras nasceu a partir da proposta do escritor Lúcio de Mendonça de reunir intelectuais em uma instituição voltada à preservação e à valorização da língua e da cultura literária, inspirada na Academia Francesa.
Desde a fundação, a instituição é formada por 40 cadeiras vitalícias, além de 20 sócios correspondentes estrangeiros. A permanência dos integrantes até a morte originou a denominação de “imortais”.
A definição de quem poderia integrar a Academia esteve em discussão desde os primeiros anos. Machado de Assis defendia que as cadeiras fossem reservadas a escritores. Joaquim Nabuco sustentava uma concepção mais ampla, que permitisse a entrada de personalidades com relevância para a história do país. Ao longo do tempo, prevaleceu essa segunda interpretação.
Com a morte de um acadêmico e a realização da cerimônia em sua memória, abre-se um prazo de 30 dias para que os interessados enviem uma carta de apresentação ao presidente da ABL.
O estatuto estabelece nos requisitos para a candidatura que “só podem ser membros efetivos da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário”.
Depois das inscrições, os candidatos passam a buscar apoio entre os integrantes da instituição. A eleição é realizada por voto secreto, e o escolhido precisa alcançar metade dos votos mais um. Também são admitidos votos brancos e nulos. Caso haja empate, uma nova eleição é realizada posteriormente.
A vitória na votação, contudo, ainda não encerra o processo. O novo acadêmico passa oficialmente a integrar a ABL somente depois do discurso durante a solenidade de posse.
Diversão e Arte
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