CINEMA

Iberê Carvalho destaca Brasília como personagem de novo thriller político

Novo filme do diretor utiliza a capital como cenário com protagonismo do pequeno Ruan Vitor Vaqueirinho

Set de filmagem de
Set de filmagem de "O menino que não existia" em apartamento na 102 Sul - (crédito: Mariana Reginato)

Com direção de Iberê Carvalho e produção da O2 Filmes, o longa O menino que não existiu explora  Brasília como cenário. No Lago Paranoá, na TV Brasília, na Esplanada dos Ministérios e em um apartamento na 102 Sul, Ruan Vitor Vaqueirinho interpreta Pivete, jovem em situação de rua que encontra a música e a arte como forma de deixar de ser invisível.

Ruan Vitor, conhecido como Vaqueirinho, soma milhões de seguidores nas rede sociais e encanta com sua voz, cantando forró e piseiro. Sendo sua primeira experiência em um set de filmagem, o pequeno de apenas 10 anos conta que o instinto e a personalidade de seu personagem são muito similares às dele. Sobre a rotina, Ruan diz: "Está sendo cansativa, mas muito gloriosa", diz o jovem.

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Thainá Duarte é a jornalista Flávia em O menino que não existiu
Thainá Duarte é a jornalista Flávia em O menino que não existiu (foto: Luciana Melo/Divulgação)

Sem sentir falta da escola, Ruan diz que sua parte favorita do set é poder derrubar as coisas em cenas de explosão de Pivete. "Tem uma cena do filme que o Pivete se estressa com outra personagem que o traiu. Ele acorda com uma fome da desgrama, com vontade de comer a casa toda. Ele serve um pote de Sucrilhos e taca o pote de cereal na televisão quando se estressa. Nisso, ele sai correndo para tentar sair da casa, quase arromba o portão, dá um bocado de murro no portão para tentar sair", contou Ruan, animado com a experiência.

O diretor Iberê Carvalho ressalta que o elenco é uma das partes especiais do longa. "A gente tem a Tânia Maria, que fez Agente Secreto, a Thainá Duarte,muito conhecida por Cangaço Novo e o Luiz Bertazzo, que fez Ainda Estou Aqui, nosso único filme brasileiro vencedor do Oscar. Nós temos os dois protagonistas que são incríveis: o Ruan Vitor Vaqueirinho, que está estreando no cinema, e o João de Souza, que faz o irmão dele; essa dupla de irmãos vivendo em Brasília é o coração do filme", destaca.

Ruan Vitor Vaqueirinho protagoniza seu primeiro longa-metragem no papel de Pivete
Ruan Vitor Vaqueirinho protagoniza seu primeiro longa-metragem no papel de Pivete (foto: Luciana Melo/Divulgação )

Inicialmente, O Menino que não existiu seria gravado em São Paulo, já que o roteirista Gabriel Quadros não conhecia Brasília. "Quando entrei no projeto, entendemos os valores da história e vimos que ela se encaixava perfeitamente em Brasília. É uma história que fala sobre contraste, sobre contradição, sobre desigualdade. A arquitetura belíssima de Niemeyer permite fazer uma leitura muito relacionada ao poder. Esses espaços de poder, muito presentes no dia a dia do brasiliense, são perfeitos para contar a história desses dois meninos que estão vivendo à margem da sociedade, sem nenhuma cidadania e buscando por ela", reflete o diretor.

Após mais de seis semanas de gravação, Iberê afirma que está encantado com o que a equipe realizou. "Estou realmente encantado com essa oportunidade. Ao mesmo tempo, é um filme muito difícil que não poderia ser feito por uma equipe diferente, pois possui muitos desafios, e um deles é ter como protagonista uma criança. Quando você filma com uma criança, precisa seguir uma série de regras para manter os direitos e a infância. O trabalho é de no máximo seis horas diárias. Só uma equipe tão experiente e talentosa como esta para conseguir dar conta", explica.

A atriz Thainá Duarte interpreta Flávia, jornalista que está em busca de conquistar novos espaços. O que a atraiu para o projeto inicialmente foi trabalhar com Iberê Carvalho. "Admiro muito o trabalho dele e foi muito gratificante vê-lo atuando como diretor, vendo como funciona a direção dele. É um filmaço. Quando eu li o roteiro, me apaixonei por essa história. Acho uma história muito potente com um DNA extremamente brasileiro", conta Thainá.

Thainá já havia vindo a Brasília para a posse do Lula nas últimas eleições, e acredita que retorna em um período importante. "Muito interessante também voltar para cá fazendo um filme como esse, tão político e beirando as eleições. Brasília é uma cidade ímpar, uma cidade onde você sente um clima solene por vezes. Saber que muitas das decisões que movimentam o país inteiro são tomadas aqui. O cinema de Brasília está crescendo cada vez mais. A gente teve agora o festival do cinema de Brasília com filmaços. Que continuemos caminhando juntos", reflete a atriz.

ENTREVISTA// Iberê Carvalho

*Por Samanta Sallum

É um thriller político, mas ao mesmo tempo é uma história de muito afeto entre dois irmãos. No fundo, a história mesmo que vai emocionar a todos é a relação dos dois irmãos vividos por Vitor Vaqueirinho e João de Sousa. São dois atores da Bahia que estão arrebentando no filme. Essa participação do Vaquerinho está chamando muita atenção. Como está sendo?

Iberê: O Juan Vitor Vaquerinho é, realmente, um fenômeno. E a gente o convidou para fazer o filme, ele aceitou e está sendo incrível. Além de cantar muito bem, está se revelando um grandíssimo ator. E a história desse menino que vive nas ruas aqui de Brasília e que acaba se vendo em posse de um celular que não lhe pertencia, que pertencia a uma pessoa do alto escalão do governo. E esse celular tem informações que podem abalar a República. E aí começa toda uma perseguição atrás desse celular.

E como está inserida no filme essa cena no estúdio de telejornalismo da TV Brasília?

Iberê: Como é sobre política, o trama acaba, realmente, movimentando todo o jornalismo, toda a política de Brasília. E por isso que os cenários de jornalismo são muito importantes no nosso filme. E por isso que está sendo muito importante filmar aqui pra trazer esse realismo e fazer cenas de bastidores e de jornalismo muito realistas.

O enredo mostra que está totalmente conectado com o que nós estamos vivendo na atualidade. Como é que você vê a ficção impactando na realidade e a realidade impactando na ficção, na sua obra?

Iberê: Bom, sempre fiz questão de fazer filmes que falassem sobre o Brasil, que tentassem refletir sobre o Brasil. Mas eu acho que há alguns anos que, por mais que a gente tenha roteiristas muito criativos, nenhum deles vai ser mais absurdo ou criativo do que a nossa história política recente, porque a cada dia tem um capítulo novo da política brasileira que tem a ver com o surrealismo. Então, por mais que a gente crie, que a gente invente, que a gente tente ser surpreendente, a realidade vem nos atropelando e surpreendendo a gente cada vez mais. Então, eu acho que falar sobre política no Brasil, fazer um filme de ficção sobre política no Brasil hoje, você tem a liberdade total de criar o que você quiser, porque você não vai conseguir superar a realidade.

E, nesta passagem pela capital federal, conseguiu participar do Festival de Cinema de Brasília? Qual é a sua relação com o Festival?

Iberê: O Festival de Brasília me formou. Eu comecei a conhecer o cinema brasileiro no Festival. E eu consegui passar lá, porque a gente filma cinco dias por semana e folga dois. Então, a nossa folga foi quinta e sexta, eu consegui dar uma passadinha lá, vi um filme muito bom de Minas, do André Novaes de Oliveira. E que é muito legal que a nossa figurinista, Diana, acabou de receber o prêmio de melhor figurinista no Festival de Brasília. Espero estar com esse filme na 60ª edição, ano que vem.

Quando as pessoas vão poder assistir? Vai ser nas telinhas, nas telonas?

Iberê: Então, a nossa expectativa é estrear nas telonas. A gente começa nos cinemas, provavelmente no segundo semestre de 2027. E, aí, depois de um tempinho ali nas telas, o máximo possível, depois a gente vai abrir o streaming. Que já tem o streaming certo, mas ainda não posso revelar.

E essa escolha de locação na TV Brasília?

Iberê: Desde o começo da minha carreira, mesmo lá na época dos curtas-metragens, o Correio Braziliense sempre apoiou. Todas as minhas conquistas o Correio celebrou junto, sabe. E eu dei algumas entrevistas na TV Brasília. Eu tinha uma relação assim de uma memória afetiva com esse veículo.

  • Set de filmagem de
    Set de filmagem de "O menino que não existia" em apartamento na 102 Sul Foto: Mariana Reginato
  • Foto: Mariana Reginato
  • Set de filmagem de O menino que não existiu em apartamento na 102 Sul
    Set de filmagem de O menino que não existiu em apartamento na 102 Sul Foto: Mariana Reginato
  • Set de filmagem de O menino que não existia em apartamento na 102 Sul
    Set de filmagem de O menino que não existia em apartamento na 102 Sul Foto: Mariana Reginato
  • Ruan Vitor Vaqueirinho protagoniza seu primeiro longa-metragem no papel de Pivete
    Ruan Vitor Vaqueirinho protagoniza seu primeiro longa-metragem no papel de Pivete Foto: Luciana Melo/Divulgação
  • Thainá Duarte é a jornalista Flávia em O menino que não existiu
    Thainá Duarte é a jornalista Flávia em O menino que não existiu Foto: Luciana Melo/Divulgação
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postado em 29/09/2026 05:00 / atualizado em 29/09/2026 14:57
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