Uma carta assinada por mais de 180 profissionais judeus do entretenimento e de outras áreas saiu em defesa do ator norte-americano Mark Ruffalo depois que ele foi acusado de antissemitismo pela Paramount. Entre os signatários estão Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Joel Coen, Todd Haynes e Hannah Einbinder. O documento foi divulgado pela revista americana Variety nesta terça-feira (1º/9).
A manifestação ocorre depois de Ruffalo criticar a proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery. Em uma publicação nas redes sociais, o ator questionou os efeitos da operação sobre Hollywood e também fez referências à relação da Oracle (multinacional de tecnologia especializada em desenvolvimento de bancos de dados), ligada à família Ellison, com Israel e com o fornecimento de tecnologia militar.
A Paramount reagiu às declarações e acusou o ator de utilizar "estereótipos antissemitas". Ruffalo contestou a acusação e afirmou que críticas ao governo israelense, a contratos de tecnologia militar e aos executivos envolvidos nesses negócios não equivalem a ataques contra judeus.
Em seu perfil no X, Ruffalo rejeitou as acusações e classificou a reação como “terrível e fundamentalmente desonesta”. O ator sustentou que questionar o governo israelense, contratos relacionados à tecnologia militar ou executivos ligados a esses negócios não significa atacar os judeus.
Carta sai em defesa do ator
O grupo que assinou o documento divulgado pela Variety contesta justamente a associação entre as manifestações de Ruffalo e o antissemitismo. Os autores classificam as acusações feitas contra o ator como uma "campanha difmatória".
A carta sustenta que a discussão sobre os vínculos entre os acontecimentos em Gaza e a indústria do entretenimento não deve ser tratada como uma manifestação de preconceito contra judeus.
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“Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo”, afirma o documento.
Leia a íntegra da carta, em tradução livre, abaixo.
"A fusão proposta entre a Paramount e a Warner Brothers Discovery não é uma mera combinação de duas grandes empresas multinacionais.Sim, ela destruirá milhares e milhares de empregos.
Sim, ela consolidará ainda mais o controle oligárquico sobre a nossa mídia (basta ver o desmantelamento da CBS News). Sim, ela sufocará a competição e a criatividade na produção e distribuição de filmes e programas de televisão.
Mas tudo isso e muito mais será feito como parte de um projeto maior de dominação tecnológica, um projeto que Larry Ellison e seus parceiros nunca hesitaram em alardear — e que eles próprios vincularam explicitamente ao seu apoio às depredações contínuas infligidas ao povo palestino e ao silenciamento dos críticos desses horrores.
Todos vimos isso após a aquisição do TikTok, intermediada por Trump — uma aquisição que eles declararam abertamente ter sido motivada, em grande parte, pelo desejo de impulsionar a propaganda pró-Israel. Larry Ellison, pessoalmente, com seus impressionantes US$ 350 milhões em financiamento e promessas de doação ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, tem sido o principal apoiador de Blair, que assume um papel influente na tomada de Gaza, arquitetada por Trump, através do "Conselho da Paz", um território que se tornou um laboratório a céu aberto para tecnologias de controle e assassinato baseadas em inteligência artificial, como as celebradas pela ex-CEO da Oracle (e atual membro do conselho da Oracle e da Paramount), Safra Catz."
