
O artista Sliman Mansour, um dos principais nomes da arte contemporânea palestina, morreu nesta segunda-feira (24/8), aos 79 anos. A informação foi anunciada pela família do pintor nas redes sociais nesta terça-feira (25/8) e a causa da morte não foi divulgada. Sliman Mansour é conhecido pelas obras Camel of hardships, Rituals under occupation, Patience and hope e Desert tunes.
Mansour nasceu em 1947 no povoado de Birzeit, próximo à cidade de Ramallah, na Cisjordânia. Na adolescência, viveu em Belém e Jerusalém e, na vida adulta, estudou arte em Beirute, no Líbano, e Washington, nos Estados Unidos. O artista ganhou relevância nos anos 1970, junto com uma geração de artistas palestinos que procuravam reconstruir a identidade nacional depois da ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém em 1967.
Durante mais de cinco décadas de carreira, Mansour retratou a determinação palestina frente à ocupação militar do território e os sentimentos de isolamento e deslocamento por meio de símbolos marcantes palestinos. O artista usou as laranjeiras para representar o território perdido na Nakba palestina de 1948; as oliveiras, simbolizando a terra ocupada a partir de 1967; e roupas tradicionais para representar a revolução palestina.
Mansour foi nome ativo no movimento palestino. Em 1987, fundou, ao lado Vera Tamari, Tayseer Barakat e Nabil Anani, o movimento New visions, que lutou pelo boicote a materiais de arte israelenses, incentivando o uso de recursos naturais como café e argila. Sete anos depois, em 1994, foi co-fundador do centro de arte Al-Wasiti, em Jerusalém, que tinha o objetivo de construir uma ponte entre artistas palestinos e compatriotas em exílio. Em 2019, recebeu o prêmio Unesco-Sharjah pela cultura árabe pela divulgação da cultura palestina e árabe internacionalmente.
