Minisérie

Série "Caôs Urbanos" transforma greve de ônibus em trama sobre Brasília

Entre o caos instalado e os 'caôs' inventados, a série acompanha desejos, dilemas e afetos atravessados pela mobilidade urbana

Maurício, interpretado por William Costa: trama sobre o caos urbano -  (crédito: Divulgação)
Maurício, interpretado por William Costa: trama sobre o caos urbano - (crédito: Divulgação)

E se houver uma greve que paralisa Brasília, o que acontece? Essa é a indagação dá origem à série ficcional Caôs Urbanos, que estreia neste domingo (4/10) no Canal Brasil, às 19h. Dividida em quatro episódios de quarenta minutos, a trama se desenvolve a partir de um tiroteio no ônibus que resulta no assassinato do cobrador José Eustáquio Gonçalves, desencadeando a paralisação do transporte público na cidade. Entre o caos instalado e os 'caôs' inventados, a série acompanha desejos, dilemas e afetos atravessados pela mobilidade urbana. "Apesar da greve ser um movimento paralisador, os personagens começam a movimentar suas vidas a partir desse fato", explica o diretor, Cássio Oliveira.

Os protagonistas Nonato (Ricardo César), Rosa (Bete Virgens) e Giovanna (Roberta Rangel) guiam a história, e cada um representa uma diferente perspectiva da greve: de quem está ligado ao sindicato, de quem depende do ônibus e de quem comanda uma empresa de transportes, respectivamente. O roteiro, de Renata Diniz e Vítor Camargo de Melo, entrelaça os personagens a partir dos efeitos da paralisação.

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Nonato, dedicado ao trabalho e a valores éticos incorruptíveis, vê sua devoção ao sindicato afetar a relação com a família enquanto seu antigo pupilo, Serjão, se articula para derrubá-lo. Para Ricardo César, interpretar o sindicalista foi um "presente". "Nonato não é um homem que gosta de ser confrontado. Ele evita o confronto, por isso acaba chegando a sua própria ruína", afirma.

Além dos protagonistas, outras figuras têm papel crucial no desenvolvimento da trama. Vivida por Chloe Silva, a personagem Estela é uma jovem inquieta que depende do transporte público para estudar e diverge do pai em relação a convicções. Para a atriz, essa relação é marcada por uma troca entre os dois: "Ela vive uma dualidade de sentimentos em relação ao que acredita e ao que o pai acredita e não deixa com que essa divergência afete no carinho deles, muito pelo contrário, isso fortalece o laço entre os dois em diversos momentos da série". Oswaldo, por sua vez, conhece os bastidores dos negócios e mantém uma relação de lealdade com o antigo patrão, recém-morto. Com Giovanna assumindo a empresa sem conhecer suas engrenagens, ele se vê no papel de ensiná-la sobre "o jogo, as regras e tudo o que acontece por trás", segundo Wellington Abreu.

Gravada no Distrito Federal e Entorno e realizada pela produtora brasiliense Trotoar Audiovisual, a produção procura desconstruir a imagem de "cidade do poder" normalmente representada no audiovisual. "A gente se propõe a circular por outros espaços, pela cidade de trás. Fazer ver outras cidades satélites e o entorno de Brasília. A cidade de todo dia, a cidade orgânica, a cidade das pessoas que trabalham, que pegam ônibus", afirma o diretor, Cássio Oliveira. A série reúne mais de 100 profissionais do DF em sua equipe técnica e artística. 

Os episódios serão exibidos aos domingos de outubro, com reprises às quartas e sextas. Em novembro, o Canal Brasil terá duas exibições em formato de maratona.

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

 


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postado em 01/10/2026 05:00
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