Literatura

Homenagem a Zuca Sardan reúne poesia, desenhos e música em Brasília

A programação inclui exposição de desenhos e folhetos mimeografados, mesa-redonda e apresentação musical com projeções

Zuca Sardan: mistura desconcertante de poesia, humor e desenho     -  (crédito: Divulgação)
Zuca Sardan: mistura desconcertante de poesia, humor e desenho - (crédito: Divulgação)

A poesia, o desenho e a experimentação artística de Carlos Felipe Saldanha (Zuca Sardan), considerado um dos precursores da poesia marginal, serão celebrados hoje em Brasília. A Hypnacoteca Maravilhas — Museu do Urubu recebe, das 17h às 20h, uma homenagem ao poeta, desenhista e folhetinista, que morreu aos 93 anos, em agosto, na Alemanha. A programação inclui exposição de desenhos e folhetos mimeografados, mesa-redonda e apresentação musical com projeções.

Um dos organizadores do encontro, Pedro Alvim explica que a proposta busca reunir as diferentes linguagens que marcaram a trajetória do artista. "Zuca Sardan era meio escritor e meio desenhista", resume. A exposição apresenta desenhos e colagens que ele costumava enviar pelo correio aos amigos.

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A música também integra a homenagem. Durante sua temporada na Alemanha, Sardan acompanhou o surgimento da música eletrônica e chegou a experimentar essa linguagem. A partir dessa relação, Luiz Gallina Neto fará uma performance de música ambiental acompanhada por projeções de desenhos do poeta, realizadas por Tude Oswald.

A programação inclui, ainda, uma mesa-redonda com os poetas Francisco Alvim, João Inácio Padilha e Nicolas Behr, que vão compartilhar lembranças do convívio com Sardan e discutir aspectos de sua obra. A conversa será conduzida por Maria Lúcia Verdi.

Alvim descreve a produção de Sardan como uma combinação de referências mitológicas e elementos modernos. "Ele atualizava e remixava a herança do passado, empregando seu repertório pessoal de clichês para chegar a resultados imprevisíveis", afirma.

O humor e a irreverência são marcas dessa produção. No poema Calote Metaphysico, Zuca questiona, com ironia, a ideia de salvação: "A vida é curta / e a salvação difícil…"/conviria primeiro saber/se a salvação existe.../entãoaquela força/eos sacrifícios/só pra no fim levar/o calote metafísico..." Os versos ilustram a disposição do poeta de desafiar certezas e transformar questões filosóficas em matéria para uma escrita bem-humorada.

Alvir também destaca duas ideias recorrentes nos projetos editoriais do artista: a "gralha", erro de revisão capaz de gerar novos sentidos, e a "cola", entendida como apropriação criativa de referências culturais. Para o organizador, essas ideias expressam a liberdade de experimentar e escapar de padrões estabelecidos. A homenagem busca preservar esse espírito experimental, marcado pelo diálogo entre palavra e imagem, humor e reinvenção.

Serviço

Homenagem a Zuca Sardan. Hoje, das 17h às 20h, na Hypnacoteca Maravilhas — Museu do Urubu. Núcleo Rural Córrego do Urubu, Chácara 24 (Quadra SMLN MI - Trecho 4) -Lago Norte 

*Estagiária sob a supervisão de Severino Francisco

 


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EB
postado em 10/10/2026 05:00
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