Música

Em entrevista, baixista de Elvis Presley conta bastidores da vida do artista

Baixista de Elvis Presley por quase uma década, Jerry Scheff relembra histórias dos bastidores do Rei do Rock e vem a Brasília para espetáculo que celebra o legado do artista

Legado de Elvis é celebrado em espetáculo que passa por Brasília em novembro -  (crédito: Divulgação)
Legado de Elvis é celebrado em espetáculo que passa por Brasília em novembro - (crédito: Divulgação)

Quando conheceu Elvis Presley, em 1969, Jerry Scheff tocava baixo profissionalmente havia mais de 10 anos. Músico de estúdio em Los Angeles, nos Estados Unidos, ele foi convidado pelo guitarrista James Burton a integrar a TCB Band, grupo formado para acompanhar o Rei do Rock durante a histórica temporada de shows em Las Vegas. Scheff permaneceu ao lado do cantor até a última apresentação juntos, em junho de 1977. Quase cinco décadas depois, o baixista desembarca em Brasília para participar do espetáculo Elvis in Concert Live on Screen, que leva a imagem e a voz do próprio artista aos telões. A apresentação celebra o legado de um dos maiores nomes da música internacional e ocorre em 1º de novembro, no Ulysses Centro de Convenções.

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Mais de meio século depois, Scheff ainda se lembra do telefonema de Burton. A proposta, que despertaria o entusiasmo de muitos músicos, causou estranhamento no baixista, que estava longe de ser fã do Rei do Rock. "Ele disse que estava em Los Angeles montando uma banda para o Elvis e que gostaria que eu tocasse baixo no grupo. Comentei com minha ex-companheira, que não gostava do Elvis, assim como eu, e ela respondeu: 'Ah, fala sério!'. Porém, pensei comigo mesmo: 'Amanhã estou de folga e vou lá. Quero conhecê-lo, ver como ele é'. Mas não tinha a intenção de aceitar a proposta", contou.

Scheff chegou ao estúdio de calça jeans rasgada, sandálias, camiseta e cabelos compridos. "Elvis, que estava sentado em um banquinho, se levantou e perguntou se eu era o Jerry. Quando respondi que sim, me agradeceu por ter ido tocar com ele e o resto da banda e apertou minha mão. Na hora pensei: 'Esse cara é gente boa. É um cara legal'. Então, eu falei que não conhecia nenhuma das músicas dele e ele me perguntou se eu sabia tocar blues. Eu respondi que sim e ele disse: 'Então, vamos tocar um pouco de blues'", narrou.

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Três músicas foram suficientes para que Elvis contratasse Scheff. "Eu aceitei porque havia algo nele... Eu sabia que ele era de verdade, sabe? Ele era autêntico. Antes disso, eu achava que ele era apenas um cara branco tentando soar como um cantor negro, mas não era nada disso. Ele era influenciado pela música negra, assim como eu também era." O baixista voltou para casa e contou à então esposa que trabalharia com o Rei do Rock. "Ela respondeu: 'Você está brincando, né?'", riu. No dia seguinte, porém, ela também se tornou fã do cantor, depois de conhecê-lo.

Nos bastidores, Elvis é lembrado por Scheff como um homem muito engraçado, que "não odiava ninguém". Nos palcos, o Rei do Rock era visto pelos músicos como o regente da banda. "Nós seguíamos os comandos dele. Quando ele abaixava a mão, nós parávamos. Quando ele dava o sinal, começávamos. Nós apenas o observávamos, em total sintonia", recordou o instrumentista. "Ele sempre dizia que éramos a espinha dorsal do show. O que fazíamos nos bastidores era positivo e o ajudava a realizar as apresentações da maneira que ele realmente queria. Nós estávamos lá e o ajudamos a expressar tudo isso. Não acredito que um grupo diferente teria conseguido fazer o mesmo", declarou.

Legado

Décadas após sua morte, Elvis Presley continua a conquistar fãs ao redor do mundo. No Brasil, o espetáculo Elvis in Concert Live on Screen passa por São Paulo e Belo Horizonte antes de chegar a Brasília. Depois da capital federal, segue para Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. A apresentação reúne sucessos como Suspicious minds, My way e Can't help falling in love. "Ele era um artista único, diferente de todos os outros, especialmente nos anos 1970, com sua voz e senso de humor. Não há ninguém como ele. Ele é um caso à parte e é por isso que os jovens de hoje em dia são seus fãs", avaliou Scheff, que sobe ao palco ao lado de outros 30 músicos no show.

Baixista de Elvis até os últimos dias do cantor, Scheff contesta a imagem de um artista de personalidade difícil. "Ele não bebia com frequência. Antes dos shows em Las Vegas, costumava ficar no camarim, sentado em um banquinho, aguardando o momento de entrar no palco. Suas mãos tremiam como borboletas. Ele ficava muito nervoso, especialmente no show de seu retorno. Seu joelho balançava freneticamente, como se houvesse um motor ali dentro", detalhou.

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"O pessoal da Máfia de Memphis (apelido dado ao grupo de amigos, funcionários e seguranças de Elvis) brincava com ele, tentando fazê-lo rir para distraí-lo do nervosismo. De repente, a cortina sobe, ele entra no palco e nós o seguimos. Dava para ver, no olhar dele, um alívio. Ele percebeu que as pessoas ainda o amavam. E, de repente — bum! — lá estava ele: Elvis Presley. Ele fez um show fantástico. É disso que eu gostaria que as pessoas se lembrassem: ele se importava. Realmente se importava", concluiu o baixista.

Classificação indicativa livre. Menores até 15 anos, apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais

 


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postado em 18/10/2026 06:00
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