Miriam Virna anda se aproximando do drama. Depois de anos flertando com o humor e a comédia, a diretora e atriz agora quer mergulhar nas profundezas da existência e é essa proposta que ela traz para o palco do Teatro Sesc do Gama e da Ceilândia, neste fim de semana, com a Cia. Supersônica. Dias cintilantes tem texto, direção e canções da própria Miriam em uma história que explora as relações de afeto, o medo e a solidão na existência humana.
No palco, Aura é uma artista que acompanha o pai em uma internação para a retirada de um tumor. Theo é o médico competente encarregado do tratamento e Teresa, a enfermeira responsável por uma ala do hospital. Extremamente dependente do pai, a filha se vê confrontada à finitude e à possibilidade de separação, enquanto o médico suprimiu as emoções em nome do aperfeiçoamento profissional. Já a enfermeira assumiu o papel de cuidadora em detrimento do cuidado pessoal. “São três personagens em cena que estão atravessando uma jornada de transformação, de crise”, explica Miriam, que ainda incluiu um quarto personagem, o Anjo, inspirado no filme Asas do desejo, de Wim Wenders, que entra em cena para que o público ouça o pensamento dos personagens. “A plateia vai mergulhar no inconsciente no que não é dito, nos traumas, nas memórias de infância dos personagens. Tem uma pegada também bastante psicanalítica.”
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Dias cintilantes é o primeiro drama criado pela diretora. Ela conta que se identifica com todos os personagens e que o texto surgiu de questões pessoais. “Eu queria falar de questões que são muito importantes hoje, que é a falta de conexão com a gente mesmo. Hoje, as pessoas ainda estão vivendo no automático, para a realização exterior, com um olhar neurótico para fora. E estão numa solidão profunda que vem, também, de não entrar em contato com elas mesmas”, diz Miriam. “Elas vivem, mas não se sentem vivas, andam robotizadas, amortecidas.”
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Miriam queria, entre outras coisas, provocar o público para que tivesse coragem de encarar os próprios fantasmas e enfrentar o desconforto de se questionar. “Porque somos uma sociedade do conforto, mas a vida vai além disso. Acho que a gente está passando por um momento do mundo planetário que é de uma urgência pela vida e a peça fala de vida e de morte”, diz.
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Camila Meskell vive Aura e Rômulo Mendes, o médico Theo. Teresa é Gleide Firmino e o Anjo é interpretado por William Ferreira. A peça é um musical e cada personagem tem sua música, todas compostas pela própria Miriam e com arranjos de Samuel Mota e Júlia Ferrari. No palco, eles têm ainda a companhia de Macaxeira Acioli, que ajuda a compor a banda responsável pela música ao vivo durante todo o espetáculo.
Serviço
Dias cintilantes
Direção: Miriam Virna. Com Camila Meskell, Gleide Firmino, Rômulo Mendes e William Ferreira. Sexta-feira (22/8), às 16h e às 19h30, no Teatro Sesc Gama. Sábado (23/8), às 19h30, e domingo, às 16h e às 19h30, no Teatro Sesc Ceilândia. Entrada gratuita, mediante retirada de ingressos no Sympla. Não recomendado para menores de 12 anos
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