Artes visuais

Exposições tomam conta do Museu de Arte de Brasília com artistas diversos

Capra Maia, Gabriel Matos, Isabela Brito e Rafael Vaz apresentam exposições no Museu de Arte de Brasília sobre a memória, o tempo e o pertencimento

Imagem escrita palavra pintada, de Rafael Vaz -  (crédito: Divulgação)
Imagem escrita palavra pintada, de Rafael Vaz - (crédito: Divulgação)

Como parte da sexta edição do Projeto Hospitalidade, o Museu de Arte de Brasília recebe, até 1º de março, as exposições Imagem Arkhé, de Capra Maia; Fazer o quilo, de Gabriel Matos; A erosão inevitável do tempo, de Isabella Brito; e Imagem escrita palavra pintada, de Rafael Vaz. Os projetos são resultado da Residência Artística Hospitalidade - Curadoria e Coordenação, coordenada pela artista e curadora Suyan de Mattos.

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Apesar de se originarem do mesmo projeto, as exposições são individuais e seguem propostas de curadoria específicas, a partir da pesquisa dos artistas. Mattos explica que a mostra reflete o processo de experimentação individual, seja pela escolha de materiais e procedimentos, quanto pela experiência de convivência e troca na residência. "Embora cada exposição seja autônoma e possua pesquisa e curadoria próprias, todas compartilham um ponto de contato fundamental: a experiência da hospitalidade vivida na Residência Artística Hospitalidade. Esse eixo comum não produz homogeneidade estética ou temática, mas estabelece uma ética do convívio, da escuta e da atenção ao outro", diz.

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Em Imagem Arkhé, de Capra Maia, doutora em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais, e com curadoria de Renata Azambuja, o foco é na investigação da matéria, tempo e água como forças em constante transformação, propondo uma visão cíclica dos elementos. "A água surge como agente ativo e não humano, capaz de esculpir e acelerar processos materiais, em diálogo com a filosofia do devir e a noção de agência distribuída", afirma Mattos. 

Da artista Isabella Brito, A erosão inevitável do tempo também trata da transformação da matéria, evidenciando a relação entre tempo, memória e erosão. Na exposição, os objetos são vistos como testemunhas de processos tanto físicos quanto simbólicos: infiltrações e corrosão mostram como todos são sujeitos ao desgaste. "As presenças mínimas revelam fragilidade e sobrevivência sem moralização: a obra não representa o tempo, ela o performa", define Suyan. A curadoria é de Camila Netto. 

Rafael Vaz, artista paraense radicado em Goiás, dialoga com o livro Casa Tomada, do argentino Julio Cortázar, para trabalhar com a imagem e palavras como gestos de retomada do espaço. "O artista aborda história, colonialismo e pertencimento, afirmando o território como espaço vivo e politicamente habitado", diz Mattos. Imagem escrita palavra pintada, com curadoria de Paulo Vega Jr., faz uso de pinturas, objetos e fotos. 

O espaço doméstico, a terra e o interior são destacados por Gabriel Matos em Fazer o quilo, que tem Samantha Canovas como curadora. O artista utiliza fotografia, bordado e escultura para retratar a memória e a experiência do êxodo rural. "Matos propõe uma experiência que prepara o olhar e aguça a percepção para o encontro entre texto, corpo, obra e público", finaliza Suyan.

Serviço

Projeto Hospitalidade

Até 1º de março, no Museu de Arte de Brasília (SHTN Trecho 1). Visitação de quarta a segunda-feira, de 10h às 19h. Entrada gratuita

 


  • 'Imagem Arkhé', de Capra Maia
    'Imagem Arkhé', de Capra Maia Foto: Divulgação
  • 'Fazer o quilo', de Gabriel Matos
    'Fazer o quilo', de Gabriel Matos Foto: Divulgação
  • 'A erosão inevitável do tempo', de Isabella Brito
    'A erosão inevitável do tempo', de Isabella Brito Foto: Divulgação
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postado em 16/01/2026 07:00
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