Crítica

'A empregada': longa estreia com atuações de Sidney Sweeney e Amanda Seyfried

Em A empregada, com "compromissos inadiáveis" junto à Justiça, Millie (Sydney Sweeney) invade a vida e a casa de mimados patrões cercados de luxo e oportunismo

Crítica A empregada // Uma estrela

Valores materiais e aparências movem uma grossa parte do thriller A empregada, que tem um DNA longínquo com o deslumbrante trabalho de Park Chan-wook em A criada (2016). Mas, verdade seja dita: passado um tempo de filme, que até ensaia beber algo do novo clássico Corra! (2017), com o jardineiro Enzo (Michele Morrone) mantendo um segredo, tudo descamba para uma inusitada galhofa, na qual pouco pode ser levado a sério. Baseado em livro de Freida McFadden, o filme traz a assinatura do diretor Paul Feig, para todo sempre associado ao entretenimento de Missão madrinha de casamento (2011) e Caça-Fantasmas (2016).

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Previsível e kitsch, o longa-metragem coloca a personagem Millie (Sydney Sweeney) num ninho de perturbações. Depois de um "grand tour" pela impecável mansão de Nina (Amanda Seyfried), a candidata a emprego esquadrinha, pouco a pouco, a perturbação e toxicidade do ambiente em que moram o "Santo Andrew Gostoso" (vulgo futuro patrão, personagem de Bradon Sklenar, na pele de um tipo oposto ao visto em É assim que acaba) e a filha deste, Cecilia (Indiana Elle, talvez a melhor do elenco). Uma carga de hostilidade é implantada no filme que faz lembrar o imediatismo das emoções de filmes dos anos 1990 com quê televisivo como A mão que balança o berço e Morando com o perigo.

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O roteiro de Rebecca Sonnenshine cunha rasas barbaridades, como "beleza é poder" e "relíquias de família são um privilégio" e "suco é privilégio, e não pode ser tomado em copo sujo". Visto como "um sonho", Andrew motiva o risível brado de Nina: "Fique longe do meu marido". A sinalização soa a um OK para que Millie aproveite a fundo as folgas com o empregador.

O que torna pouco crível cada detalhe do filme vem do desdobramento dos passados de cada personagem — e, pior, o futuro de todos também é duvidoso. Todos os gestos de cada personagem são questionáveis: há obediência cega, à custa do arrancar de cabelos; necessidade incondicional de adoração e desprezo pela "criadagem". Traumas ilógicos e luxúria, exposta em forma de clipe de proporções ridículas e descabidas, além de punições cruéis, circulam na mansão de Nina e Andrew. Histeria, oportunismo e alianças irreais estão no ciclo de personagens mimados, hedonistas e fofoqueiros.

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