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O charme dos bistrôs leva menus enxutos a casas de Brasília

Inspirados pelos pequenos restaurantes tipicamente franceses, os bistrôs da cidade conquistam o público que busca por um clima mais intimista e comida saborosa

Clima intimista e informal, espaços menores e decoração acolhedora. É assim que são definidos os famosos bistrôs, estabelecimentos inspirados nos pequenos restaurantes tipicamente franceses. Para além do ambiente receptivo, tais espaços entregam menus que, apesar de reduzidos, são bem elaborados e agradam aos mais diferentes públicos e paladares, muitas vezes com destaque para pratos autorais com inspirações caseiras.

Esse formato encanta cada vez mais os moradores de Brasília, que valorizam uma experiência personalizada e com forte presença do chef, em contramão aos restaurantes de maior escala, com padronização no serviço e atendimento. “Na cidade, os bistrôs têm um público muito fiel por três motivos: privacidade, tradição e fidelidade”, aponta o chef Alex Xavier, do La Cheminée.

“O brasiliense gosta de ser conhecido pelo dono ou pelo chef da casa, algo que o atendimento de um bistrô proporciona. Em um cenário de grandes redes e praças de alimentação barulhentas, esse estilo se destaca pela exclusividade não tenta agradar a todos com menus gigantescos — ele entrega perfeição em poucos pratos, criando uma experiência sensorial completa, com luz baixa, trilha sonora adequada e o cheiro de manteiga e ervas vindo da cozinha”, descreve o cozinheiro.

Outro destaque na cidade é o La Fleur. Localizado no Sudoeste, assim como o La Cheminée, o restaurante foi criado com o intuito de se tornar um “característico bistrô de vizinhança”, explica o proprietário Marcos Birbeire. “Com elegante decoração e preços acessíveis, a ideia é que seja algo para se frequentar e não apenas visitar. Alguns clientes frequentam nosso estabelecimento de duas a três vezes por semana. Confortável, extremamente bem decorado e com cardápio variado”, afirma o dono.

Jantar a dois

De portas abertas desde 2018, o La Fleur Bistrô segue os padrões dos típicos estabelecimentos franceses que o inspiram — sofás de couro, mesas redondas, luz baixa e poucas mesas. O ambiente, pequeno e intimista, é ideal para jantares a dois ou encontros entre amigos e, segundo o proprietário Marcos Birbeire, se destaca como “um dos restaurantes mais românticos de Brasília”.

“O brasiliense gosta muito de se reunir à mesa, seja com vizinhos, amigos ou família. Talvez pela origem dos moradores da cidade, já que muitos vieram de fora, a amizade é extremamente valorizada, e o La Fleur se destaca entre como local ideal para todos esses encontros”, afirma Marcos.

O menu, composto essencialmente por massas, tem como carro-chefe os nhoques, feitos com batata doce e mínimo de farinha. Há opções que variam entre R$ 47 e R$ 59, nos sabores quatro queijos, molho pesto, filé ao gorgonzola, molho funghi e camarão ao curry. Segundo o proprietário, os pratos harmonizam perfeitamente com vinhos verdes e brancos, disponíveis a partir de R$ 57.

Outros destaques do menu são os risotos (entre R$ 59 e R$ 69) nos sabores caprese, espinafre e gorgonzola, funghi, carne seca, filé ao gorgonzola e camarão. O restaurante também oferece quase 40 opções diferentes de crepes, entre salgados e doces. Os valores variam entre R$ 29,90 e R$ 54.

Herança familiar

Alex Xavier, chef do La Cheminée, divide uma história com a cozinha desde a infância. Filho de Severino Xavier e Maria das Graças, proprietários do primeiro restaurante francês, o tradicional La Chaumière, o cozinheiro cresceu observando de perto a destreza dos pais ao tocar o estabelecimento que celebra seis décadas de atividade. "A curiosidade e o aprendizado vieram com minha mãe me ensinando detalhes e técnicas, enquanto via da escada do restaurante meu pai atendendo com maestria todos presidentes da República", lembra Alex.

Ainda jovem, o cozinheiro começou a se envolver com o trabalho no restaurante, auxiliando Severino no salão e Maria na cozinha. "Fui aprendendo a arte de atender e desenvolver pratos", conta. "Cozinhar, para mim, sempre foi um ato de amor. Um ato de servir e amar, levar propósito à mesa para os protagonistas, nossos clientes", declara o chef. "E a minha história na cozinha vem da história de amor entre o meu pai e minha mãe", afirma.

O La Cheminée veio, então, da vontade de Alex de homenagear os pais. Inaugurado em 2024, o restaurante tem como destaque os pratos autorais filé Champs Élysée (R$ 128), feito com molho de creme de leite e mostarda, granulados de café, pequenos pedaços de tomate, alho frito e flambado com uísque, e o filé Nord-Est (R$ 128), com molho de creme de leite e queijo roquefort e rapadura maçaricada.

Quando o assunto são as receitas exclusivas do restaurante, Alex revela: "Eu costumo sonhar com elas ou ter insights enquanto escuto música. Todos os pratos autorais da casa surgem de uma combinação entre estudos e um dom que Deus me deu", diz o chef.

Experiência completa

Desde 2017, o Le Jardin constrói sua história na capital. Ainda na Asa Sul, o restaurante deu os primeiros passos na sede da Aliança Francesa e, cinco anos depois, dobrou de tamanho com a mudança para o Sudoeste. Sob o comando do chef Tiago Santos, a sommelière Márcia Cruz e o gestor Marcus Vinícius, a casa oferece ao público brasiliense “uma experiência completa de bistrô francês, do primeiro gole de vinho à última garfada”, garante o cozinheiro.

No menu, a assinatura da casa, segundo Tiago, é o magret de pato ao demi-glace de laranja e manga (R$ 109), servido com legumes noisette e fritas com mix de ervas. “Ele representa fielmente nossa cozinha: técnica clássica com um sopro de frescor”, aponta o chef.

Para harmonizar com o prato, Márcia sugere um vinho tinto francês da região de Bordeaux: “A Estrutura e taninos suaves dialogam magnificamente com a gordura do pato e a doçura da fruta”. Na carta da casa, é possível encontrar rótulos que se encaixam na descrição a partir de R$ 100.

DNA Francês

Localizado na 402 Sul, em meio a alguns dos restaurantes mais populares da cidade, o Le Vin chama a atenção, justamente, por carregar o DNA da culinária e da cultura francesas. "Nosso restaurante transporta essa experiência de bistrô com fidelidade, fazendo com que nossos clientes se sintam abraçados pela gastronomia de forma acessível, sem abrir mão da qualidade e da atenção aos detalhes em todos os passos. Do menu à decoração, da carta de vinhos à luz baixa, todo o conjunto é um convite ao momento", garante o sócio Wagner Parente.

"As receitas que compõem o nosso menu são passadas de geração em geração, prezando sempre pelo cuidado na escolha dos insumos e pela padronização da experiência: hoje ou amanhã, o prato mantém a sua essência. Sabe aquela sensação de desejar uma comida e ela preservar o sabor exatamente como você se lembrava? Esse é o nosso desejo: ser um destino certeiro", acrescenta o proprietário.

Os "best-sellers" da casa, segundo Wagner, começam pelas entradas, com o clássico steak tartare (R$ 73), por exemplo, acompanhado por batatas rústicas. Entre os pratos principais, os destaques ficam por conta do boeuf bourguignon (R$ 85), carne bovina, legumes, bacon e vinho tinto, servido com purê de batatas; o cassoulet (R$ 78), preparado com feijão branco e carnes variadas; e o filé mignon com risoto de cogumelos (R$ 124).

Pratos como o confit de pato (R$ 198), com batatas salteadas e molho roti, e o arroz de pato (R$ 98) também chamam atenção do público. Por fim, as sobremesas mais pedidas são o tradicional crème brûlée (R$ 38) e o mousse de chocolate (R$ 29), "bem aerado e suave — como manda a tradição", afirma Wagner.

Para harmonizar, o proprietário indica os rótulos Beau Roche (R$ 168), fresco e versátil; Tons de Duorum (R$ 158), que acompanha muito bem pratos mais estruturados; Sexy Fish Malbec (R$ 168), de perfil mais intenso; e o Loios Tinto (R$ 148), opção equilibrada e fácil de beber.

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