Carnaval

Os donos da tesourinha: confira a rota do Ventoinha de Canudo

O bloco Ventoinha de Canudo volta a ocupar as ruas da 207 Norte, no tradicional circuito, nesta terça-feira. A concentração ocorre a partir das 16h20

O Ventoinha de Canudo reúne muitos brincantes 
na Asa Norte
 -  (crédito: Davi Mello)
O Ventoinha de Canudo reúne muitos brincantes na Asa Norte - (crédito: Davi Mello)

A-ha, u-hu, a tesourinha é nossa! O grito que se tornou marca do tradicional Ventoinha de Canudo volta a tomar as ruas da 207 Norte na terça-feira de carnaval, a partir das 16h20. Criado em 2004, o bloco surgiu após uma viagem entre amigos músicos à Bahia — lá, eles compraram pífanos e tiveram a ideia de compor uma banda que tocasse de acordo com o som da pequena flauta transversal, muito utilizada no Nordeste. Do grupo, surgiu o projeto carnavalesco que, mesmo sem palco e sem trio elétrico, conquistou o público brasiliense.

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Organizadora do bloco, Dani Neri lembra que, quando o bloco saiu pela primeira vez, há 22 anos, a intenção era de movimentar o carnaval de rua de Brasília. "Naquela época, a gente via muitas pessoas saindo da cidade e indo para o Rio de Janeiro, Recife..", recorda. "A cidade ainda tinha aquele carnaval muito elitizado, de clube, e a gente queria fazer algo autêntico, que fosse a nossa cara e chamasse as pessoas para ocupar os espaços públicos da capital", explica a fundadora.

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"A cada ano, nosso bloco foi crescendo e nós fomos passando pelos comércios, balões, ruas e becos, até encontrarmos a tesourinha, que virou nosso trajeto tradicional", relata Dani. "É uma rua que, durante o ano inteiro, é ocupada apenas por carros, o que torna o nosso percurso ainda mais especial, passando por ali com foliões, crianças e pessoas de todas as idades", celebra a organizadora.

"Quando a gente grita que a tesourinha é nossa, a gente está lutando pelo direito a ocupar a cidade", declara Dani. "O que deveria ser algo disponível, se tornou algo que temos que lutar para ter", lamenta a organizadora do Ventoinha. "Carnavalizar, ter o direito de ocupar a cidade com a nossa folia, também é um ato democrático. Então nós defendemos muito o direito à cidade e ao carnaval de rua, que é construído com muitos desafios", afirma.

O som dos pífanos

"Feliz, singelo e autêntico", é assim que Dani define o Ventoinha de Canudo. "O nosso bloco é da alegria, da diversidade, do respeito e do encontro de gerações", descreve. Ao som dos pífanos e dos tambores de percussão, os músicos são conhecidos por relembrar marchinhas carnavalescas de sucesso, convidando o público a dançar livremente com o frevo, a ciranda e o forró. Neste ano, a passagem do Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante encerra o percurso.

Para além da diversão e da fanfarra, Dani acredita que o bloco também desempenha um papel importante na memória afetiva de muitos brasilienses. "As bandas tradicionais de pífano, das quais a gente bebe da fonte, vêm de diferentes lugares do Nordeste", aponta a organizadora. "E Brasília tem, enquanto formação, uma referência muito forte da cultura nordestina. Muitas pessoas vieram de lá para cá, para construir a capital", destaca.

"Então, quando o público chega e escuta o Ventoinha passar, gera uma memória afetiva muito grande, porque muitos candangos têm nas veias familiares algum lugar do Nordeste, ou algo da cultura nordestina, que é muito ampla, mas que tem essa referência das bandas de pífanos espalhadas em diferentes estados", opina Dani.

 


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postado em 13/02/2026 05:00
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