Artes visuais

Artista plástico convida público a um passeio com viagem sonora

Instalação com sons no Parque Olhos d'Água convida o visitante a um passeio inusitado pela natureza

Quem visitar o Parque  Olhos d’Água a partir desta sexta-feira (6/2) vai se deparar com uma experiência curiosa. O artista australiano Iain  Mott, radicado em Brasília há mais de duas décadas, criou uma instalação sonora para ser vivenciada enquanto se passeia por uma das áreas do parque. Botânica — Um jardim de som é um convite a um passeio diferente, uma obra que propõe uma paisagem sonora para ser vivida juntamente com uma paisagem natural.

O mapeamento sonoro cobre mais da metade da área aberta de grama embaixo da entrada principal do parque, incluindo a região adjacente com viveiro, onde há pequenos espaços com ervas e flores, e um bosque mais denso. Mott fez gravações de áudio na Chapada dos Veadeiros, no Jardim Botânico de Brasília e numa chácara perto de Brazlândia para criar a instalação, que tem sons de pássaros, cigarras, grilos, água, sapos, galinhas, vacas, portões de fazenda e até das moscas. “Usei técnicas diferentes para gravar. Gravei em mono, estéreo e métodos ‘ambisônicos’ que capturam som vindo de todas as direções”, avisa o artista, que criou um software, o Mosca, para realizar o trabalho. “O software posiciona estas gravações no parque de forma imersiva e com muito cinetismo”, garante.

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A voz humana também está no trabalho com fragmentos de poemas de Manoel de Barros lidos por Simone Reis, mulher do artista. “Além de reproduzir gravações, Mosca também sintetiza e manipula sons gravados. Neste aspecto, os movimentos do ouvinte modulam os parâmetros da síntese, trazendo uma outra camada de interação com o som em adição à espacialização”, garante o artista. “Usei tons puros em áreas mais abertas, com cada fonte sonora virtual tocando notas diferentes. Ao se mover entre esses tons, o ouvinte torna-se compositor, criando acordes com seus movimentos.”

No total, Mott criou oito módulos sonoros disponibilizados ao público no formato de uma maleta com fones de ouvido usados para passear pelo espaço. A operação, o artista garante, é muito simples: basta colocar os fones e caminhar com a maleta em mãos.  O projeto nasceu com suporte do Fundo de Apoio à Cultura (FAC/DF) e o artista conta que escolheu o Parque Olhos d’Água por causa da configuração do espaço. “É compacto, tem ambientes muito diversos: cerrado, bosques, grama, viveiros, água. É bem frequentado e com uma história de atividades abertas ao público. Morando no norte da cidade, sempre quis apresentar Botânica neste parque maravilhoso”, revela. 

Serviço

Botânica – um jardim de som

De Iain Mott. Até 1º de março, sexta a domingo, das 10h às 18h, no  Parque Olhos d’Água (Quadras 413 e 414, Asa Norte)


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Fotos: Divulgação - Visitantes vão poder passear ouvindo a instalação de Iain Mott
Divulgação - Botânica – um jardim de som De Iain Mott. Até 1º de março, sexta a domingo, das 10h às 18h, no Parque Olhos d’Água (Quadras 413 e 414, Asa Norte)
Divulgação - Botânica – um jardim de som De Iain Mott. Até 1º de março, sexta a domingo, das 10h às 18h, no Parque Olhos d’Água (Quadras 413 e 414, Asa Norte)