
O Frankenstein do Grupo Liquidificador desembarca no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) com a missão de fazer o público refletir sobre a criação da vida e a chegada da Inteligência Artificial. Em cartaz a partir deste fim de semana, e com temporada até 19 de abril, Frankenstein de Mary Shelley tem direção de Fernanda Alpino e dramaturgia de Fernando Carvalho, responsável pela adaptação. No palco, Larissa Souza vive Mary Shelley e Ana Quintas, "a criatura".
A peça comemora os 15 anos do Liquidificador e propõe uma montagem baseada na mistura de linguagens e tempos. "Tivemos vontade de repensar o Frankenstein contemporâneo, como é essa ideia de criar novas vidas a partir de várias inteligências, várias partes. A gente faz uma metáfora com a inteligência artificial, muito citada quando se fala de Frankenstein porque tem essa coisa do conhecimento fragmentado", explica Lopes. "O GPT pega partes de vários tipos de conhecimento e utiliza para fazer um ser novo. É para pensar nessa coisa da criação da vida e da substituição do humano."
Na narrativa do Liquidificador, Mary Shelley é recriada por IA e está de volta para dar uma palestra. Antes de entrar em cena, o rosto da escritora assume diversas formas, passando por Charles Darwin e Nosferatu até encaixar em uma versão de Mary. "A Mary Shelley é uma personagem feita através de dados e a criatura é uma personagem de ficção revivida", avisa o dramaturgo. "A gente traz para o universo do literário e coloca em cena a autora e a criatura. As personagens vão interagir, só que Mary não está mais aqui, e a criatura é atemporal, é uma personagem de ficção."
Memórias da escritora e da criação da obra entram em cena, assim como a relação entre criadora e criatura. O dramaturgo optou por aderir à leitura de muitos estudiosos sobre a relação entre Mary e Frankenstein. "Eles falam que a criatura é um espelho da Mary Shelley, ela tem características muito parecidas", explica. Em clima de retrofuturismo, a peça fala de coisas atuais como se atravessasse vários tempos e aterrissasse para o mundo contemporâneo para apresentar a criatura. A proposta é discutir temas como a ganância do conhecimento técnico, o avanço da tecnologia e o avanço bélico. "A inteligência avança para caminhar para o fim da humanidade e a pergunta é: o que a gente quer como o futuro? E a gente coloca muito as questões dos problemas não computáveis, que os dados não conseguem alcançar, as questões de âmbito mais orgânico, mais vital. E a contraposição entre problemas computáveis e não computáveis", avisa Fernando Carvalho.
Serviço
Frankenstein de Mary Shelley — Grupo Liquidificador
Nesta sexta-feira (27/3), sábado (28/3) e domingo (29/3), às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (SCES, Trecho 2). Temporada até 19 de abril. Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia). Não recomendável para menores de 14 anos
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