Música

Claudio Santoro ganha festival com concertos e recitais pela cidade

O Festival Santoro celebra o maestro que cirou o departamento de música da UnB e a orquestra do Teatro Nacional

Foi em Paris, onde está radicado para estudar composição, que o maestro Matheus Avlis teve a ideia de criar um festival dedicado a Claudio Santoro. Ao realizar os passos do compositor na cidade francesa e ao aprofundar o estudo das composições do maestro, Avlis decidiu montar o Festival Claudio Santoro, que teve início nesta quinta-feira (12/3) e segue até domingo (15/3) com concertos e recitais espalhados pela cidade. 

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Organizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura, o evento terá sessões no Complexo Cultural de Samambaia, no Centro Cultural da Adunb e na Casa Thomas Jefferson, que recebem a Orquestra do Festival, formada por mais de 50 músicos residentes no DF, a mezzo soprano Denise de Freitas e o pianista Alessandro Santoro, filho de Claudio Santoro. "Estou pesquisando a obra composta quando ele estava em Paris, na década de 1950, mas antes de ir para a França passei pela Escola de Música de Brasília (EMB) e pela Universidade de Brasília (UnB), onde fiz mestrado. É um departamento fundado por ele. Meus professores na UnB foram alunos do Santoro. Além disso, eu sempre assistia aos concertos no Teatro Nacional com a orquestra fundada por ele", conta  Avlis, que também fez uma tese de mestrado sobre a obra do maestro.  "É uma figura de muita importância para Brasília e para o Brasil e, no mundo, ele tem a importância, para a segunda metade do século 20, que tiveram Villa-Lobos e Carlos Gomes."

A produção de Claudio Santoro cobre um período de mais de 50 anos durante os quais ele experimentou uma variedade enorme de gêneros e estilos. Referência do nacionalismo e do dodecafonismo na música brasileira, o maestro também foi politicamente ativo na crítica à ditadura. Com passagens pelos movimentos de vanguarda mais importantes da primeira metade do século 20 — no Brasil, fez parte do grupo Nova Música ao ser aluno de Hans-Joachim Koellreutter e em Paris, foi aluno de Nádia Boulanger —, Santoro faz parte do time de compositores que inventaram uma música brasileira extremamente sofisticada e moderna. "Ele teve uma produção muito grande, com muitos gêneros e muitos estilos, sempre dialogando com as coisas mais atuais da época, com as ideologias e tecnologias. Ele foi moderno demais para a época dele, por isso sofreu perseguição da ditadura, porque era filiado ao Partido Comunista", conta Avlis. 

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Parte dessa diversidade poderá ser conferida pelo público do festival especialmente nos recitais de Alessandro Santoro, que, com a cantora Denise de Freitas, apresenta o ciclo das Canções de Amor, uma parceria de Claudio com Vinicius de Moraes, e um conjunto de canções sem palavras, inéditas, que compilou enquanto organizava o material deixado pelo pai. "Desde que meu pai faleceu estou responsável pelo acervo dele. Lá em 2007 coloquei na ordem no catálogo e tinha separado em algum lugar umas coisas que não encaixavam em nenhum lugar, uma espécie de esboço. E nesses 30 anos lendo e editando a música dele, o que não parecia inteligível começou a ficar mais decifrável. E na época da pandemia resolvi me aventurar e pensei: será que dá pra recuperar o que está escrito?", conta. Alessandro gravou, ao piano, algumas dessas partituras e postou os vídeos no YouTube durante a pandemia.

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No festival, as canções serão apresentadas de forma cronológica, uma maneira de convidar o público a compreender o desenvolvimento do pensamento musical do compositor. O pianista também reservou algumas surpresas para o público, como uma valsa escrita pela mãe, Gisèle Santoro, que morreu em outubro de 2025. 

Claudio Santoro chegou a Brasília nos anos 1960 a convite de Darcy Ribeiro para fundar o departamento de música da UnB e ficou na cidade até 1965, quando a ditadura demitiu uma leva de professores considerados subversivos por não concordarem com o regime. O maestro voltou em 1979 e morreu no palco do Teatro Nacional, enquanto regia a orquestra fundada por ele. 

Serviço

Festival Claudio
Santoro 2026

Nesta sexta-feira (13/3), às 20h, na Casa Thomas Jefferson, recital Canções de amor — As Canções de Santoro e Vinicius de Moraes, com Denise de Freitas e Alessandro Santoro. Sábado (14/3), às 20h, no Centro Cultural da AdUnB, Concerto da Orquestra do Festival. Domingo (15/3), às 19h, na Casa Tomas Jefferson, recital Canções sem palavras — Peças inéditas para piano, com Alessandro Santoro

 


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