
A galeria Cerrado Cultural recebe duas exposições de artistas contemporâneos brasileiros que refletem sobre símbolos e identidades. Lais Myrrha traz Arquiteturas do poder e Helô Sanvoy, Eiro.
O que torna uma personalidade ou uma imagem um signo e como isso opera dentro do modernismo criado por Oscar Niemeyer são questões que sempre interessaram a artista mineira Lais Myrrha e são essas reflexões que deram origem às obras de Arquiteturas do poder. Em obras como Estudo de Caso, Kama Sutra, Dupla Exposição e Vertebral Case, a artista explora o potencial de imagens que se tornaram ícones de uma época e de uma estética brasileiras.
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Na série de fotografias Dupla exposição, Lais sobrepõe imagens de edifícios que formam o coração de Brasília, prédios icônicos como os palácios e o Congresso Nacional são fusionados em imagens criadas para se refletir sobre aspectos diversos, que vão da história à formação política e estética do país. "Essa fotos, para mim, são como se estivesse reconstruindo parte da história do Brasil a partir dessas imagens, desses espaços sempre vazios em que o protagonista é o próprio espaço", explica a artista.
Duas imagens resumem bem as intenções de Laís. Em uma delas, o Palácio do Planalto e a pintura da primeira missa aparecem sobrepostos. Em outra, é a vez do Congresso e do Planalto: a cúpula majestosa projetada por Niemeyer vai parar em cima do palácio. "São coisas que levam a pensar em questões históricas, políticas e em construções sociais do Brasil. E apontam para uma coisa que a própria arquitetura do Niemeyer tem: uma composição surrealista", explica Lais.
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Em Eiro, Helô Sanvoy utiliza materiais com forte carga histórica e simbólica para falar de origens e identidades. Com o sufixo do gentílico brasileiro, também usado para compor palavras que designam profissões como marceneiro, pedreiro ou cozinheiro, o artista estabelece uma relação entre materiais e história. "Uso esse prefixo e escrevo eiro com pigmento de pau-brasil junto dessas profissões, partindo da ideia de que o brasileiro era o trabalhador do pau-brasil. Esse trabalhador se torna o nome da nossa nacionalidade, então Eiro é uma população de trabalhadores. Essa é um pouco a ideia que estrutura a exposição", explica. "Trago a ideia do pau-brasil como um constituinte da ideia contemporânea da sociedade em que a gente vive. Utilizo material como algo que carrega cargas históricas e simbólicas para discutir algumas questões."
Além de Eiro, Sanvoy traz Lucidez de fuga, trabalho no qual utiliza cacos de vidro temperado em alusão ao material encontrado em prédios de grande porte, como bancos e shoppings. "Uso esse material quase como uma espécie de ironia, esse material que permite a passagem do olhar, mas delimita ambientes. É a ideia de lucidez de fuga, tanto de perda de luz, quanto de uma construção complicada de sociedade", avisa. O caco de vidro também traz uma intenção de pensar as ruínas e vem mesclado a estruturas de couro que, para o artista, remetem à superfície de um corpo. "E esse corpo cria uma relação com esses objetos em vidro. Às vezes, o couro resiste, às vezes sofre um corte. Então tem esse embate desses materiais", diz Sanvoy.
Serviço
Arquiteturas do Poder
De Lais Myrrha. Curadoria: Ana Avelar
Eiro
De Helô Sanvoy. Curadoria: Divino Sobral
Visitação até 9 de maio, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 13h, na Cerrado Cultural (SHIS QI 05, Chácara 10)

Diversão e Arte
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