Crise hídrica

Sem aumento na conta de luz, "racionamento educativo" citado por Lira é inevitável

Presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon/DF), César Bergo alerta que crise hídrica deve refletir no consumidor final, seja com programa de racionamento de energia seja com reajustes de tarifas

Fernanda Fernandes
postado em 23/06/2021 15:58 / atualizado em 23/06/2021 17:20
 (crédito: Corecon/Divulgação)
(crédito: Corecon/Divulgação)

Entre a cruz e a espada, o consumidor terá que enfrentar aumento na conta de luz ou racionamento de energia elétrica para evitar um apagão, segundo o economista e professor de Especialização em Mercado Financeiro na Universidade de Brasília (UNB), César Augusto Bergo.

“No nível em que se encontram nossas capacidades hídricas, não tem como fugir de um racionamento e apostar que vamos ficar ilesos de um apagão. Porém, em função do aumento de funcionamento das termelétricas, pode ser que isso não ocorra, refletindo na conta de luz. De toda forma atinge o consumidor final”, explica o especialista.

O assunto entrou em pauta, após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmar, na última terça-feira (22/6), que um “racionamento educativo” de energia elétrica estaria na previsão do governo. Horas depois, Lira voltou atrás em sua fala, dizendo que, na verdade, o governo prevê um incentivo “voluntário” ao uso racional de energia.

De acordo com César Bergo, que também é presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon/DF), a atual crise energética não atinge só a conta de luz, mas diversos setores, entre eles, a agricultura, “refletindo diretamente no preço dos alimentos”.

Além disso, o economista afirma que o gás e o diesel também devem subir, já que são demandados pelas termoelétricas.

Para o especialista, a redução das chuvas não é a única “culpada” desse cenário, como vem sendo amplamente divulgado. “Não podemos colocar tudo na conta da seca e deixar a questão do mau planejamento fora desse debate. Faltou planejamento, transparência nas comunicações e ações antecipadas aos problemas. A natureza está aí há milhões de anos, é preciso evitar esse problemas com o uso racional da água, mantendo as reservas e preservando o meio ambiente”, reforça.

Após abrir consulta pública e ouvir especialistas durante 30 dias, a Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve divulgar, até a próxima quarta-feira (30), os reajustes das bandeiras tarifárias.

De olho nos hábitos e na conta

O economista César Bergo dá algumas dicas valiosas para quem quer poupar energia e fugir da conta muito alta. Ele explica que aqueles que não têm o hábito do planejamento familiar podem começar reunindo a família e listando tudo o que consome energia dentro de casa. “O objetivo é ir observando se procedimentos mínimos estão sendo cumpridos, como apagar a luz ao sair de um cômodo”, exemplifica.

Bergo reforça que existem ações que fazem toda a diferença no consumo de quilowatts. “Deixar o computador ligado sem necessidade, utilizar o chuveiro no modo mais quente até em dias de calor, utilizar a máquina de lavar várias vezes por semana... São algumas atitudes que resultam em uma conta alta”, afirma o professor.

O horário também interfere no valor do consumo, que atinge o pico de preço entre 18h e 20h. Além disso, é importante verificar eventualidades na conta de luz e a quantidade do consumo familiar, pois existem limites entre os grupos tarifários. “O preço por quilowatt para quem consome até 200 kWh é um, já aqueles que consomem de 201 a 300 kWh pagam mais, esse aumento é gradativo”, alerta.

Vale destacar que famílias inscritas no Cadastro Único com renda de meio salário mínimo por pessoa ou de até três salários mínimos por família ganham descontos, além de pagarem menor valor no kWh. Aquelas que mantêm a faixa de consumo entre 0 e 30 kWh/mês ganham 65% de desconto; entre 31 e 100 kWh/mês, 40%; e para quem consome entre 101 e 220 kWh/mês, o desconto é de 10%.

 

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