PETROBRAS

Caio Mário de Andrade será 4º presidente da Petrobras no governo Bolsonaro

Desgastado pela alta do preço dos combustíveis, José Mauro Coelho é demitido após ocupar o cargo por apenas 40 dias

Raphael Felice
postado em 24/05/2022 05:55 / atualizado em 24/05/2022 05:56
 (crédito: Michel Jesus/Camara dos Deputados)
(crédito: Michel Jesus/Camara dos Deputados)

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou, na noite de ontem, a demissão de José Mauro Ferreira Coelho da presidência da Petrobras e indicou Caio Mário de Andrade, membro da equipe do Ministério da Economia, para assumir o comando da estatal. Caso tenha o nome aprovado pelo Conselho de Administração da estatal, Andrade será o quarto presidente da Petrobras durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes de Coelho, o economista Roberto Castello Branco e o general Joaquim Silva e Luna também foram exonerados do cargo.

José Mauro comandou a Petrobras por apenas 40 dias e foi sacado do comando da empresa 12 dias após a demissão do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que saiu da pasta para dar lugar a Adolfo Sachsida, também originário da equipe de Paulo Guedes.

Os movimentos são vistos como uma tentativa de Bolsonaro de sinalizar ao eleitorado que está tentando resolver a questão da alta dos preços dos combustíveis, realizando trocas tanto no MME, quanto na Petrobras. Segundo analistas, o presidente da República tenta se descolar da estatal para afastar eventuais responsabilidades sobre a alta dos derivados de petróleo.

Um levantamento divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no último dia 21, aponta um preço médio do diesel de R$ 6,943. Já a gasolina registrou média de R$ 7,275.

Momento desafiador

Auxiliar do ministro Paulo Guedes, Caio Mário ocupa atualmente a chefia da Secretaria de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia e será submetido ao Conselho de Administração da Petrobras para assumir a presidência da empresa. Como é acionista majoritário, o governo possui maioria dentro do colegiado.

Em nota, o MME associou a troca no comando da estatal a um "momento desafiador" decorrente da "extrema volatilidade" de hidrocarbonetos, como o petróleo, no mercado internacional. A pasta ainda ressaltou que a alta dos combustíveis impacta diretamente a renda dos brasileiros e citou a invasão da Ucrânia pela Rússia como um motivo direto dos altos preços da gasolina e do diesel.

"O governo consigna ao presidente José Mauro os agradecimentos pelos resultados alcançados em sua gestão à frente da Petrobras. O Brasil vive atualmente um momento desafiador, decorrente dos efeitos da extrema volatilidade dos hidrocarbonetos nos mercados internacionais", afirma a nota.

"Adicionalmente, diversos fatores geopolíticos conhecidos por todos resultam em impactos não apenas sobre o preço da gasolina e do diesel, mas sobre todos os componentes energéticos. Dessa maneira, para que sejam mantidas as condições necessárias para o crescimento do emprego e renda dos brasileiros, é preciso fortalecer a capacidade de investimento do setor privado como um todo. Trabalhar e contribuir para um cenário equilibrado na área energética é fundamental para a geração de valor da empresa, gerando benefícios para toda a sociedade", publicou a pasta.

O ministério afirmou ainda que o recém-indicado "reúne todas as qualificações para liderar a companhia a superar os desafios que a presente conjuntura impõe", para promover o crescimento da petroleira "sem descuidar das responsabilidades de governança, ambiental e, especialmente, social da Petrobras".

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