
A porta-voz da União Europeia (UE), Paula Pinho, afirmou nesta segunda-feira (5/1) que houve avanços nas negociações do acordo comercial com o Mercosul nas últimas duas semanas. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Bruxelas, ao comentar o estágio atual das tratativas entre os dois blocos.
Questionada sobre a possibilidade de assinatura do tratado em 12 de janeiro, Pinho disse porém que, apesar do progresso, ainda não há uma data definida. “Não temos uma data específica para o acordo, mas estamos no caminho certo para assinar em breve”, ressaltou.
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As declarações ocorrem após o adiamento da assinatura do pacto UE-Mercosul, inicialmente prevista para 20 de dezembro e postergada para o início de janeiro de 2026. Mesmo diante de resistências internas, concentradas principalmente na França e na Itália, a negociação avançou, com apoio da maioria dos Estados-membros da União Europeia.
Em carta enviada anteriormente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reiteraram o compromisso de concluir a assinatura em janeiro. Segundo eles, o adiamento foi necessário para a finalização de trâmites internos no Conselho.
Garantias agrícolas
A oposição da Itália, em sintonia com a França, decorre principalmente de pressões do setor agrícola por maiores garantias no acordo.
Para atender a essas preocupações, o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas mais rigorosas para produtos considerados sensíveis, além da proposta de criação de um fundo de compensação de 1 bilhão de euros e do reforço nos controles fitossanitários. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, sinalizou que o país poderá apoiar o acordo dentro de, no máximo, um mês.
Agricultores franceses demonstram preocupação com o impacto de uma possível entrada em larga escala de produtos sul-americanos — como carne, arroz, mel e soja — no mercado europeu.
Esses itens são vistos pelo setor como mais competitivos em razão de normas de produção consideradas menos rigorosas, enquanto o acordo prevê, em contrapartida, a ampliação das exportações europeias de veículos e máquinas para os países do Mercosul.
Agrotóxicos
Em paralelo às negociações, o governo da França anunciou neste domingo (4) a suspensão da importação de uma série de produtos agrícolas oriundos da América do Sul e de outras regiões que apresentem resíduos de substâncias proibidas pela União Europeia. A medida atinge itens como abacate, manga, goiaba, frutas cítricas, uvas e maçãs.
A decisão foi comunicada pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e pela ministra da Agricultura, Annie Genevard, em publicações nas redes sociais. Segundo o governo, a nova regra impede a entrada no país de produtos que contenham resíduos de mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim — defensivos agrícolas cujo uso é vetado pela legislação sanitária europeia.
"Nos próximos dias será assinado um decreto, a iniciativa da ministra da Agricultura, Annie Genevard, para suspender a importação de produtos que contenham resíduos de substâncias proibidas na Europa: mancozeb, glufosinato, tiofanato-metilo e carbendazim", anunciou Lecornu, em publicação no X.
De acordo com o primeiro-ministro, uma brigada especializada realizará verificações reforçadas para garantir o cumprimento das nossas normas sanitárias. “Um primeiro passo para proteger nossas cadeias de suprimentos e nossos consumidores, e para combater a concorrência desleal, uma verdadeira questão de justiça e equidade para nossos agricultores”, destacou.

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