
Encontradas em praças, cercas-vivas e até mesmo ao lado de calçadas, as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) têm rico potencial alimentício, mas muitas vezes são confundidas com "mato" em ruas e nos campos. Quem aponta é o chef de cozinha do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Luiz Lira, entrevistado desta sexta-feira do programa CB.Agro — parceria entre o Correio e a TV Brasília.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Lira, que recentemente venceu o reality Chef de alto nível, da TV Globo, explica que seu destaque no programa se deu justamente pela vivência com produtos orgânicos. “Foi mais fácil visualizar o potencial dessas 'joias' e criar pratos que surpreendem até os melhores chefes do mundo, mostrando que não é necessária uma proteína animal quando se trabalha bem hortaliças como cenoura e beterraba”, disse.
Segundo o entrevistado, as Pancs, pouco conhecidas pela população em geral, são definidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como hortaliças tradicionais e podem ser encontradas em todo o território nacional. No Cerrado, estima-se que existam cerca de 351 espécies, entre elas, o pequi (Caryocar brasiliense), o baru (Dipteryx alata), o buriti (Mauritia flexuosa), o ora-pro-nóbis e o ipê-amarelo, cujas flores podem ser consumidas cruas, em saladas, ou cozidas.
São alimentos que dão em abundância e são robustas, aguentando variações de temperatura e chuvas melhor do que um tomate. “As PANCs sobrevivem em quase qualquer 'território' por serem rústicas. Na África, por exemplo, existe um projeto de consumo de PANC para combater a fome, justamente por serem alimentos riquíssimos em proteínas e outros benefícios”, enfatizou.
Onde encontrar
O chef comentou que visita a Ceasa — Centrais de Abastecimento — aos sábados para conferir os produtos sazonais que chegam a cada temporada, mas é possível encontrar as plantas comestíveis em feiras de rua também.
“Hoje existem inclusive aplicativos que identificam se a planta é comestível por meio da câmera do celular. Pesquisas indicam que 80% do que chamamos de 'mato' nas ruas é comestível. No Ceasa, já existem bancas específicas para orgânicos e PANC”, apontou.
Assista à entrevista na íntegra:
*Estagiário sob supervisão de Andreia Castro

Economia
Economia
Economia