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Bolsas dos EUA fecham em leve alta, apesar de pressão sobre Powell

Mesmo com investigação do Departamento de Justiça em torno do presidente do Fed, os principais índices do país ganharam força ao final do dia

Com uma investigação criminal em aberto sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, as principais bolsas de valores dos EUA abriram em queda nesta segunda-feira (12/1) com receio de uma possível interferência do presidente Donald Trump na autoridade monetária do país. Apesar da turbulência inicial, todos os índices viraram para alta durante a tarde e fecharam no azul.

O índice Standard & Poor’s (S&P) 500 encerrou o primeiro pregão da semana com uma alta de 0,16% e alcançou recorde nominal da série histórica, enquanto que Nasdaq e Dow Jones tiveram valorizações de 0,26% e 0,17%, respectivamente.

A investigação sobre Powell foi aberta pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta segunda-feira e tem como centro um depoimento que prestado pelo chairman do Fed no Senado em junho de 2025 a respeito do projeto de reforma da sede do banco, em Washington. O objetivo seria identificar se o presidente da instituição fez declarações falsas ao explicar os custos e as mudanças nesse projeto.

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, esse episódio pode ser visto como uma “ameaça significativa”, ao considerar o histórico de desavenças de Trump com a política monetária desde o início do atual governo. “A situação não gera apenas uma maior incerteza em relação à credibilidade institucional com a tentativa de minar a autonomia do Fed, o reflexo desencadeia também um maior questionamento sobre a trajetória de juros”, avalia.

O especialista indica, ainda, que à medida que um risco de interferência governamental no banco central se torna mais presente, os ativos americanos podem se tornar menos atrativos para os investidores e reforçar a tendência de diversificação global para opções mais conservadoras.

“No caso do Brasil, o efeito pode resultar em entrada de capital buscando oportunidades alternativas ao mercado americano, assim como outros emergentes, mas não necessariamente como um porto seguro. Contudo, se as taxas americanas de longo prazo subirem muito devido à incerteza política, isso pode acabar drenando liquidez de mercados como o Brasil e direcionando para outras alternativas mais seguras”, acrescenta Lobo.

Dólar e Ibovespa

Com o aumento do receio de investidores no mercado internacional, a onda negativa gera “respingos” nos mercados emergentes, como o brasileiro, onde houve saída de divisas ao longo do dia. Diante desse movimento, o dólar comercial fechou o pregão em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,37. Ao mesmo tempo, o Índice DXY, que mede a força da moeda norte-americana no cenário internacional, caiu 0,28%.

Já o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa/B3) fechou em baixa de 0,13%, aos 163.150 pontos, com as ações dos principais bancos em queda. Os papeis do Bradesco (BBDC4) caíram 0,76%, enquanto que os do Itaú Unibanco (ITUB4) tiveram perdas de 0,90%. Já os ativos Santander (SANB11) recuaram 0,47% no mesmo pregão.

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