MERCADO FINANCEIRO

Bolsa, em novo recorde diário, rompe patamar de 171 mil pontos

Embalada pelo bom humor dos investidores, B3 dispara 3,3%, e fecha aos 171.816 pontos, maior patamar da história. Dólar volta a cair e recua 1,1%

O mercado financeiro embalou no bom humor do recuo das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês), evitando uma escalada na crise com a Groenlândia antes mesmo de concluir a invasão militar da Venezuela. Em discurso no resort suíço ontem, Trump negou o uso de força na questão da Groenlândia e anunciou, mais tarde, que não aplicará tarifas adicionais à Europa, a partir de fevereiro, evitou uma queda maior para o dólar.

Em Nova York, o Índice Dow Jones teve alta de 1,21% enquanto que, no Brasil, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), bateu vários recordes ao longo do dia e encerrou o pregão de ontem acima de 171 mil pontos pela primeira vez na história.

No fechamento da B3, o IBovespa avançou 3,33%, para 171.816 pontos, com os papeis do Grupo Toky e da Paranapanema liderando os ganhos no dia, com altas de 18,97% e de 18,82%, respectivamente. Foi a primeira vez desde 9 de abril de 2025, quando avançou 3,12%, que o IBovespa obteve um ganho acima de 3%. A alta de ontem também foi a maior em quase três anos, superado apenas pelo salto de 4,29% de 11 de abril de 2023. Na semana, o indicador acumula alta de 4,26%, e, no ano, de 6,64%.

O avanço da B3 reflete um movimento de diminuição da aversão ao risco dos investidores. E, no câmbio o mesmo ocorre com a valorização do real frente ao dólar, que segue recuando frente às moedas emergentes de forma geral. Ontem, a divisa norte-americana recuou 1,11% frente ao real e encerrou o pregão cotada a R$ 5,321 para a venda.

De acordo com o economista André Perfeito, da Garantia Capital, o novo recorde da B3 não é privilégio apenas do Brasil dessa "fuga para a qualidade", que é a busca pelo ouro e pela prata, mas que tem deixado a rebarba para as commodities. "Os países emergentes têm se beneficiado do movimento duplo de Bolsa em alta e dólar em queda. Claro, o Brasil se beneficia mais por conta da nossa estrutura mais organizada no mercado de capitais que outros países e também pelas empresas listadas ligadas a commodities", disse.

Outro fator de atenção para o mercado internacional, ontem, foi o julgamento da diretora do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) Lisa Cook. Por fim, a Suprema Corte dos EUA indicou que tende a manter Cook no cargo, diminuindo a pressão de Trump na autoridade monetária. O alívio nos mercados ocorreu porque "Trump foi claro em Davos de que não vai usar força na questão da Groenlândia", acrescenta o diretor de Análise na Zero Markets Brasil, Marcos Praça.

Nova liquidação

No Brasil, as atenções dos agentes financeiros brasileiros também ficaram voltadas à decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do Will Bank e subsidiária do Banco Master. Foi a terceira liquidação em pouco mais de dois meses.

Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que não comenta casos específicos de instituições financeiras, mas entende que o regulador detém o mandato e o dever de atuar para assegurar a resiliência do sistema financeiro, com a adoção de regime de resolução que afaste o risco de contágio e que leve à rigorosa apuração dos fatos e à responsabilização dos agentes de mercado.

"Essa atuação decorre da autoridade regulatória do BC, que é fundamental para a credibilidade e confiança do sistema financeiro, e compreende medidas que podem levar à necessidade de liquidação de instituições financeiras que se revelem incapazes de manter suas atividades. Trata-se de um pilar essencial da regulação e da estabilidade financeira, que confere ao regulador independência técnica e autonomia, exatamente para que suas decisões sejam respeitadas sob a ótica prudencial, da solvência e da disciplina de mercado", explicou a instituição.

Com o início dos pagamentos aos 800 mil credores do Banco Master, anunciado para esta semana, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou, ontem, por meio de nota, que "não há um prazo legal definido para o pagamento das garantias, mas que trabalha para que os ressarcimentos ocorram no menor tempo possível".

A expectativa da instituição é de que os depósitos ocorram em até dois dias úteis após a conclusão da solicitação pelo credor, com base em experiências anteriores. O FGC esclareceu ainda que, por motivos de segurança e prevenção a fraudes, parte dos pedidos pode passar por etapas adicionais de verificação de identidade.

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Na seara política, a pesquisa Atlas/Intel apontando menor distância na intenção de votos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também colaborou para o movimento positivo da B3, uma vez que o mercado financeiro confia na promessa do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de seguir a cartilha do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, segundo analistas.(Com Agência Estado)

*Estagiário sob a supervisão de Rosana Hessel

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