
O escândalo envolvendo o Banco Master tende a gerar custos que vão muito além das instituições diretamente afetadas. Segundo o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, o caso pode impactar toda a sociedade ao elevar o custo de instrumentos financeiros no mercado, com reflexos sobre o crédito e o funcionamento do sistema financeiro como um todo.
"Um evento dessa magnitude, no final do dia, acaba gerando um impacto para a sociedade no custo, no custo de captação de novos empréstimos, no preço dos investimentos. Essa conta vai ser paga. Esse dinheiro 'desaparece' mas sai de outro lugar depois", disse Maluhy nesta quinta-feira (5/2), durante coletiva para a apresentação dos resultados do banco referentes a 2025.
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A quebra da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro tende a produzir efeitos em cadeia sobre o sistema financeiro. A crise que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank pode consumir cerca de 30% do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estimado entre R$ 41 bilhões e R$ 47 bilhões, impondo custos adicionais aos grandes bancos.
O banqueiro afirmou que, ao longo dos anos, a finalidade original do fundo foi sendo deturpada, passando a ser usada por algumas plataformas como instrumento de alavancagem para expandir operações e sustentar modelos de negócio que não se mostraram viáveis no longo prazo. "Nós temos que ter curadoria, transparência, responsabilidade todos os dias antes de disponibilizar um produto na nossa prateleira”, destacou.
O rombo associado ao colapso do banco supera R$ 50 bilhões. A necessidade de aportes extraordinários para recompor o fundo deve pressionar a liquidez e elevar os custos financeiros das instituições que permanecem saudáveis, com possíveis reflexos sobre o crédito e as taxas cobradas no mercado.
Para viabilizar os pagamentos, está em discussão a antecipação de contribuições dos bancos referentes aos próximos anos, já a partir do início de 2026. A proposta em debate prevê um adiantamento equivalente a cinco anos de aportes, o que representaria cerca de R$ 30 bilhões para reforçar o caixa do fundo. "O aporte vai ser feito, mas como é que a gente atenua o custo ao máximo para os bancos, e, por consequência, para a sociedade como um todo?", indagou o presidente do Itaú.
Maluhy também defendeu mudanças na regulação com o objetivo de evitar que episódios semelhantes se repitam no futuro. "É evidente que a gente não pode permitir que um evento dessa magnitude aconteça novamente, da forma como aconteceu.”

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