
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou, nesta segunda-feira (9), que a oferta de Certificado de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) não configura, por si só, irregularidade nem justificaria uma intervenção da autoridade monetária no Banco Master. A declaração foi feita durante evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.
"Muita gente comentava essa questão de captar acima do CDI. E, como se sabe, não existe nenhuma regra que proíba fazer captações a uma taxa como aquela", disse.
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A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em novembro. De acordo com o Banco Central, a medida teve como base a constatação de uma crise de liquidez, que impedia o banco de honrar compromissos financeiros dentro dos prazos estabelecidos.
Galípolo afirmou que, apesar de o Master ter baixa participação no mercado, a complexidade do caso exigiu acompanhamento detalhado. "Tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI. Não se trata disso", reforçou. Segundo ele, a atuação do Banco Central foi cuidadosa, em linha com a responsabilidade de preservar a estabilidade do sistema financeiro.
Os problemas do banco, disse, estavam relacionados à perda de credibilidade, restrições de liquidez e dúvidas levantadas durante o processo de fiscalização sobre a formação de novas carteiras de crédito.
Ele afirmou que o Banco Central atuou de forma coordenada com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao longo do processo.
Orçamento baixo
Galípolo aproveitou a oportunidade para criticar o baixo orçamento do BC e defender a independência financeira. "Temos um aumento no número das instituições que estão sob supervisão do Banco Central e outras que não estão, em meio à redução significativa de pessoas e recursos", disse Galípolo, que, por outro lado, destacou a importância da autonomia institucional da autoridade monetária e da Polícia Federal.
Ele frisou que a apuração busca responsabilizar pessoas, preservando o funcionamento do sistema, e destacou o fato de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva respeitar e reconhecer a importância da autonomia do Banco Central e da Polícia Federal no tratamento do caso.
"Muita gente pode dizer que a autonomia do Banco Central e da Polícia Federal é uma garantia constitucional. Mas ter essa certeza, essa tranquilidade, de que vamos poder trabalhar com essa autonomia, sem que ninguém nos pergunte o que está sendo sugerido e garantir essa proteção do Presidente da República é bastante importante", afirmou.
Gabriel Galípolo também afirmou que 2025 foi um ano de reforço da atuação da autoridade monetária na defesa da estabilidade monetária e financeira. Segundo o presidente do BC, a estabilidade segue como o eixo central da atuação da autoridade monetária e a transparência é um dos pontos que vêm sendo reforçados na condução das políticas.
Ele apontou que o BC enfrentou desafios relevantes ao longo do ano e passou a organizar sua agenda futura com foco nesses dois pilares.
Calibragem nos juros
Ao tratar da política monetária, Galípolo afirmou que o atual ciclo entrou em uma fase de "calibragem". De acordo com ele, "existe, sim, a necessidade de fazer um reconhecimento de uma melhora que ocorreu entre o período onde a gente conclui a elevação da taxa de juros e tinha aquele cenário que a gente descreveu". Segundo ele, "o ambiente inflacionário, inflação corrente, a expectativa está numa situação melhor do que a gente tinha naquele momento (quando os juros foram elevados)."
O presidente do BC também apontou características estruturais da economia brasileira que influenciam a transmissão da política monetária. Entre elas, citou o modelo de financiamento imobiliário e o elevado percentual da dívida pública indexada à taxa Selic e à inflação.
No cenário internacional, Galípolo apontou que o debate regulatório após a crise de 2008 levou ao crescimento dos intermediários financeiros não bancários (NBFIs). "O Brasil sempre chama a atenção do resto do mundo pelo fato de que, entre os emergentes, é o segundo país com maior participação dos NBFIs no mercado. Porém, do ponto de vista sistêmico, das preocupações de crise que os outros países possuem, é diferente no Brasil, porque a maior parte dessas NBFIs tem no seu patrimônio títulos públicos", disse.
*Estagiário sob a supervisão de Edla Lula

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