
O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, pediu exoneração do cargo nesta quarta-feira (11/2), em meio a investigações da Polícia Federal sobre a aplicação de R$ 400 milhões do fundo no Banco Master. A PF apura possíveis irregularidades na condução dos investimentos e aponta que três gestores teriam ignorado alertas técnicos internos antes da realização dos aportes.
Segundo as investigações, houve pressão para viabilizar a operação e risco de ocultação de provas. Lemos é citado como liderança no processo decisório que resultou na aprovação das aplicações.
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De acordo com relatório da Polícia Federal, em menos de 20 dias, em julho de 2024, o fundo realizou uma série de investimentos em Letras Financeiras do Banco Master, após deliberação do comitê responsável. Além de Lemos, outros dois conselheiros que votaram favoravelmente à operação são alvo da apuração.
Os investigadores apontam que alertas feitos por integrantes do conselho teriam sido desconsiderados, inclusive quanto à concentração de recursos na mesma instituição, à negativa da Caixa para aquisição de títulos do banco e a notícias sobre procedimentos envolvendo a instituição em órgãos de controle. Também não teria havido exigência prévia de documentação técnica complementar antes da aplicação dos recursos.
Na avaliação da PF, os recursos dos aposentados teriam sido geridos “de forma temerária e/ou fraudulenta”. O relatório destaca ainda que Lemos teria rebatido questionamentos técnicos feitos por outros membros do conselho. “Sua atuação, em tese, revela não apenas adesão, mas possível liderança no processo decisório que resultou na aprovação e execução das aplicações investigadas”, registrou a corporação ao solicitar mandados de busca e apreensão, sob a justificativa de risco de destruição de provas.
Em comunicado divulgado pela Amprev, Jocildo Lemos afirmou que sempre atuou dentro da legalidade e que o pedido de exoneração tem como objetivo garantir a independência das investigações. “Seguindo com absoluto compromisso com a instituição, com os segurados e com a verdade dos fatos, apresento meu pedido de exoneração do cargo de Diretor-Presidente da Amprev. Faço isso para que a Justiça atue com total independência e para que fique plenamente comprovado que todos os procedimentos adotados sob minha gestão observaram rigorosamente a legalidade, permitindo a identificação e a responsabilização dos verdadeiros culpados”, escreveu.
- Leia também: Presidente da Amprev renuncia em meio a investigação da PF sobre aporte de R$ 400 milhões
Ele acrescentou: “Reafirmo minha plena confiança na Justiça e na força dos fatos. Sob esta administração, o patrimônio da Amprev cresceu 41% entre 2023 e 2025, garantindo o pagamento de aposentados e pensionistas até 2059.”
A defesa de Lemos contesta as conclusões preliminares da investigação e sustenta que o gestor também teria sido prejudicado pelo Banco Master, argumento igualmente defendido pela Amprev. Segundo a entidade, foram adotadas medidas judiciais e obtido o bloqueio de pagamentos à instituição financeira.
A Amprev reúne cerca de 30 mil segurados vinculados ao sistema previdenciário do Amapá e aproximadamente 2,1 mil beneficiários civis e militares, entre aposentados e pensionistas, conforme dados do próprio fundo.

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