Fiscal

IFI: país precisa de superavit acima de 2% do PIB para frear crescimento da dívida pública

Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI) avalia ainda que próximo presidente herdará desafio de promover "reformas estruturais profundas"

instituto acredita que a inflação já começa a responder às taxas de juros elevadas e deve fechar o ano em 3,9% -  (crédito: Agência Brasil/Divulgação )
instituto acredita que a inflação já começa a responder às taxas de juros elevadas e deve fechar o ano em 3,9% - (crédito: Agência Brasil/Divulgação )

A Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI) acredita que o Brasil deve buscar um superavit primário superior a 2% do PIB para frear o avanço da dívida pública nos próximos anos. De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de fevereiro, publicado nesta quinta-feira (26/2), o governo deve focar no aumento de investimentos estratégicos, principalmente em infraestrutura e ciência e tecnologia, para impulsionar o crescimento econômico.

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As melhorias, no entanto, devem vir apenas a partir de 2027, como reconhece a IFI, em razão da dificuldade de promover reformas em ano eleitoral. “Os objetivos fiscais são bem mais modestos em 2026: alcançar o deficit primário zero, contando para o cumprimento dessa meta com as exclusões de despesas permitidas pela legislação para o teto de gastos e para apuração do resultado primário e usufruindo do limite inferior da banda de tolerância previsto no arcabouço fiscal”, destaca o grupo.

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Na política monetária, o instituto acredita que a inflação já começa a responder às taxas de juros elevadas e deve fechar o ano em 3,9%. Atualmente, a taxa acumulada dos últimos 12 meses (fevereiro de 2025 a janeiro de 2026) está em 4,44%.

O relatório do IFI também analisa o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026, divulgado recentemente pelo Tesouro Nacional, que prevê a estabilidade de títulos pós-fixados em um percentual significativo no curto prazo. Para o instituto, o objetivo estratégico seria a mudança do perfil da dívida pública brasileira, com o rebaixamento de seu custo e o alongamento dos prazos de vencimento.

“A taxa básica de juros elevada e a falta de ancoragem sólida para as expectativas quanto aos cenários fiscal e externo tornam a trajetória pretendida mais complexa e desafiadora. Aqui são analisados os condicionantes da dívida e a sua evolução”, destaca, em nota, o relatório.

Sobre o aumento do Imposto de Importação para mais de 1,2 mil produtos eletrônicos, o relatório indica que, apesar de causar “enorme controvérsia” em relação à verdadeira eficácia da medida, o grupo destaca que há expectativa de uma arrecadação adicional entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões em 2026, o que deve contribuir para o cumprimento das metas fiscais para o ano.

“A argumentação central do governo é presa a estratégias em relação ao comércio exterior, visando minimizar o crescente deficit da balança comercial destes dois setores e seus impactos nos resultados das transações correntes, restringindo importações e induzindo sua substituição por produção doméstica”, aponta o IFI.

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postado em 26/02/2026 16:49 / atualizado em 26/02/2026 16:49
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