Caso Master

Vorcaro disse que planejava ‘final feliz’ com venda do Master pela Fictor

Em depoimento à PF, o dono do Banco Master afirmou que os termos já estavam acertados quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu o empresário

Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 30 de dezembro, o CEO do Grupo Master, Daniel Vorcaro, afirmou que os termos para a venda da instituição financeira pelo Grupo Fictor — que solicitou recuperação judicial neste domingo (1º/2) — já estavam acertados e faltavam apenas assinaturas dos envolvidos.

Ele ainda disse que a venda do WillBank, que faz parte do grupo de Vorcaro, ao fundo árabe Mubadala seria concretizado no dia em que foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o próprio empresário quando tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos, no Aeroporto de Guarulhos.

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“A gente estava com o contrato pronto, seria assinado no dia 18 pela manhã. E, nos outros três próximos dias, a gente ia assinar a venda do banco de investimento e a entrada dos investidores estrangeiros junto com a Fictor na compra do banco”, disse Vorcaro, em acareação à PF que teve seu sigilo derrubado no último dia 29 de janeiro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

Ainda durante o depoimento, o dono do Master disse que tinha avisado o Banco Central sobre o fim das negociações com os investidores estrangeiros que entrariam no negócio junto com a Fictor. Disse também que esteve nos Emirados Árabes na semana anterior à prisão para tratar sobre os termos da compra do WillBank pelo fundo internacional e negou a tese de fuga.

“Ou seja, era um desfecho de final feliz para o sistema financeiro. Não era só para mim, que foi infelizmente interrompido pela operação”, completou o empresário. A tentativa de compra do Master previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição. No dia seguinte ao anúncio, a operação foi suspensa e a instituição financeira foi liquidada extrajudicialmente pelo BC.

No dia em que comunicou ao Judiciário a compra do banco, a Fictor informou ter recebido R$ 3 bilhões em aportes de sócios participantes para bancar a operação. No entanto, após a liquidação do Master, a instituição sofreu com uma série de pedidos de retirada de recursos, que somaram cerca de 71,38% do montante inicialmente aportado, até o último dia 31 de janeiro, segundo informações da própria instituição.

Pedido de recuperação

Em virtude da crise de liquidez após a liquidação do Master no último dia 18 de novembro, o Grupo Fictor, protocolou um pedido de recuperação judicial neste domingo para a Fictor Holding e Fictor Invest – que integram o conglomerado financeiro – no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

De acordo com uma nota publicada pela empresa, a ação tem como objetivo equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros da instituição, com foco nos sócios participantes, que representam a maior parte dos credores do grupo atualmente. “A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”, destacou.

Ao todo, o valor dos compromissos da Fictor com os credores chega a R$ 4 bilhões – soma que a instituição afirma que pretende quitar sem nenhum deságio (depreciação). Na mesma solicitação, a empresa pede uma tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, “reduzindo o risco de corridas individuais que pressionem ainda mais a liquidez e prejudiquem uma solução coletiva e equânime”.

Nesse período, que corresponde a cerca de seis meses, a empresa recorda que a legislação garante o direito de negociar um plano de recuperação que estabeleceria novas condições e prazos de pagamento de seus compromissos, sem a necessidade de interromper as operações da empresa e manter os cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos.

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