O pesquisador Jorge Werneck, recém-promovido a chefe-geral da Embrapa Cerrados, defendeu o fortalecimento de uma agricultura mais produtiva e sustentável como eixo central da atuação da instituição. Em entrevista ao programa CB.Agro, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, nesta sexta-feira (13/2), ele destacou que ampliar a aplicação do conhecimento científico no campo e nas políticas públicas é essencial para consolidar ganhos ambientais e econômicos no setor.
Werneck ressaltou a importância histórica da Embrapa para a transformação do agro brasileiro e lembrou que, há cerca de 50 anos, o país era importador de alimentos. Segundo ele, a trajetória que levou o Brasil a figurar hoje entre os três maiores exportadores globais passou diretamente pela atuação da instituição e de seus parceiros.
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Em conversa com os jornalistas Roberto Fonseca e Mila Ferreira, o pesquisador afirmou que seu principal objetivo à frente da Embrapa Cerrados é fazer com que ao menos 80% do conhecimento gerado pela empresa seja efetivamente incorporado ao campo e às políticas públicas, impulsionando avanços “a passos largos” em produtividade e sustentabilidade.
“Estamos sistematizando as informações para oferecer um cardápio de soluções prontas para a sociedade, integrando-as com parceiros públicos, privados e comunidades. Trabalhamos para as várias agriculturas existentes no país”, informou.
Confira a entrevista:
Para o pesquisador, o maior desafio é levar o conhecimento a quem realmente será beneficiado. Ele diz que o que chamam de "milagre", é na verdade, fruto de muito trabalho, ciência e esforço dos pesquisadores e dos produtores rurais e tudo deve estar integrado para gerar transformações no agro e na sociedade.
“Temos que medir, levantar dados e gerar tecnologias, além de acompanhar a revolução da inteligência artificial, drones e novos equipamentos. A ciência deve estar um passo à frente para sistematizar esse conhecimento e fazê-lo chegar aos produtores e, finalmente, à mesa de todos em forma de alimentos, fibras e energia, sempre com sustentabilidade”, frisou.
Mudanças climáticas
Para Jorge Werneck, o Cerrado — bioma considerado frágil e altamente sensível às mudanças climáticas — exige atenção redobrada da pesquisa agropecuária. Segundo ele, cabe à Embrapa ampliar o acesso de produtores da região a tecnologias e soluções científicas que reduzam vulnerabilidades, especialmente diante do risco hídrico, apontado como um dos principais fatores estratégicos para o futuro da produção no bioma.
“Em projetos de recuperação de áreas degradadas, instalamos medidores de chuva e verificamos que, em uma distância de apenas 1,5 km, houve uma diferença de 400 mm de chuva no ano. Se não medirmos essa informação, não compreendemos os processos e podemos indicar soluções inadequadas. Precisamos de ciência séria, contínua e financiamento de longo prazo”, esclareceu.
Outro eixo central da atuação da Embrapa Cerrados é a produção com sustentabilidade. Segundo Jorge Werneck, a instituição trabalha há anos com o conceito de intensificação sustentável, que prioriza a verticalização da produção — aumentar a produtividade sem a abertura de novas áreas.
De acordo com o pesquisador, esse avanço é viável a partir do uso de tecnologia, do manejo adequado de insumos, da adoção de boas práticas agrícolas, da manutenção de carbono e água no solo e de um uso mais inteligente e eficiente dos recursos naturais.
“Realizamos inúmeras pesquisas para definir a quantidade exata de água e insumos para cada cultura e variedade, desenvolvendo as chamadas tecnologias "poupa-água" e "poupa-terra". Isso se soma a programas de recuperação de áreas degradadas e ferramentas. o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que economiza cerca de R$6 bilhões por ano para o Brasil, orientando o que e onde plantar.”, declarou.
*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves
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