Combustíveis

Etanol fica menos vantajoso em quase todo o país, indica pesquisa

Dados levantados pela ValeCard mostram que somente no Amapá compensa abastecer com álcool

Abastecer com etanol ficou mais caro no último mês de fevereiro, ao mesmo tempo em que a gasolina e o diesel registraram preços mais baixos na média nacional. Os dados foram levantados pela empresa de pagamentos ValeCard e divulgados nesta quarta-feira (4/3). A pesquisa mostra que em 22 unidades da Federação o álcool ficou menos vantajoso para os consumidores.

Na média nacional, o preço do etanol subiu 1,42%, passando de R$ 4,71 para R$ 4,78 na comparação mensal. Por outro lado, a gasolina comum registrou queda de 0,32%, com recuo de R$ 6,48 para R$ 6,46, enquanto o diesel S-10 teve baixa de 0,43%, com o valor médio caindo de R$ 6,33 para R$ 6,30, o litro. A análise considera transações realizadas entre 1º e 26 de fevereiro em mais de 25 mil postos credenciados pela ValeCard em todo o país.

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No Centro-Oeste, o valor do etanol no Distrito Federal registrou a maior alta, além de atingir o maior preço entre as UFs na região. O preço do combustível avançou 2,69% no mês, passando de R$ 4,937 para R$ 5,070. Também houve aumento no Mato Grosso, que subiu 1,71% (de R$ 4,612 para R$ 4,691); e no Mato Grosso do Sul, onde avançou 1,35% (de R$ 4,532 para R$ 4,593). Somente em Goiás houve queda na região (-0,28%), passando de R$ 4,918 para R$ 4,904.

Para o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga, o etanol segue pressionado por fatores sazonais, diante de um período de menor oferta da cana-de-açúcar, o que reduz a disponibilidade do biocombustível e sustenta os preços em patamar mais elevado.

“Em alguns estados, a demanda permanece aquecida, o que amplia essa pressão. Além disso, o avanço do etanol anidro, que compõe 30% da gasolina, também influencia a formação de preços nas bombas. Quando o consumo de gasolina cresce ou as usinas destinam mais cana para o açúcar, a oferta de etanol diminui e os preços sobem”, afirma Braga.

Além disso, o diretor acredita que o cenário interno pode ser rapidamente impactado pelo ambiente internacional, com a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que pode afetar diretamente os preços do petróleo, principalmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pela passagem de pelo menos um quinto da commodity extraída globalmente.

“Qualquer restrição mais prolongada na região tende a afetar diretamente o preço do barril e, consequentemente, pode gerar novos repasses ao mercado brasileiro. Estamos acompanhando esse movimento com atenção para avaliar a intensidade e a velocidade de eventual impacto nas bombas”, conclui.

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