O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, ontem, que o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, vai assumir o comando da pasta, substituindo o ministro Fernando Haddad, que havia anunciado a intenção de deixar o governo em dezembro de 2025.
O anúncio foi feito, ontem, em dois eventos em São Paulo. Primeiro, durante a 17ª Caravana Federativa, e ao lado de vários ministros e 430 representantes de municípios paulistas. Mais tarde, Lula e Haddad fizeram o lançamento oficial da candidatura do ministro para a disputa para as eleições ao governo do estado de São Paulo, em um evento na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), reduto eleitoral do partido de Lula.
Ao comentar sobre a campanha, Haddad disse que não tem estratégia e, muito menos barganha, além de mostrar otimismo na vitória. "Eu sempre disputei uma eleição para ganhar, e é como vou disputar essa eleição", afirmou ele, arrancando aplausos da plateia.
O agora ex-ministro da Fazenda voltou a dizer que nunca fez da política a profissão, mas sempre fez da política a razão de vida cidadã. E, pela luta pela contra a desigualdade, ele pretende entrar no ringue por uma "boa causa". " Essa luta jamais vai ser vista como sacrifício", frisou, em referência às notícias de que ele estaria entrando em uma corrida eleitoral, novamente, para perder.
Haddad aproveitou a cerimônia para destacar o cenário internacional, que vem sendo influenciado pelo presidente dos Estados Unidos, seja com tarifaço, seja com novas guerras, seja com intervenções. "Temos que trabalhar muito para não deixar as coisas que estão planejadas pelo outro lado acontecerem, que é colocar em risco a soberania nacional, colocar em risco a democracia, e colocar em risco o incipiente estado de bem-estar social que nós estamos construindo desde o período da redemocratização", afirmou.
Participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e os ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Camilo Santana (Educacao), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), além de lideranças sindicais e vários parlamentares do PT. Hoje, em um café da manhã com 20 jornalistas, em São Paulo, Haddad fará um balanço de sua gestão à frente do ministério da Fazenda.
No discurso durante o primeiro evento, Haddad voltou a criticar a gestão anterior para justificar as críticas à condução das políticas fiscais. "Era difícil, diante das condições herdadas (do governo de Jair Bolsonaro), conseguirmos crescer o dobro da média dos 10 anos anteriores. Era difícil reduzir o desemprego ao mais baixo índice da série histórica", afirmou, elogiando o apoio de prefeitos e do Congresso Nacional.
Apesar do discurso otimista, a corrida de Haddad rumo ao Palácio dos Bandeirantes não será fácil. O atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera as pesquisas de intenção de voto, com mais de 60% de aprovação. Em 2022, Haddad foi derrotado pelo ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro no segundo turno, mas garantiu um bom palanque para o petista no maior colégio eleitoral do país. Naquele pleito, Lula venceu Bolsonaro na capital, mas perdeu no interior, que é muito conservador.
"Haddad recebeu uma bucha de canhão de Lula e tem chances de levar mais uma derrota. Primeiro, porque o PT não tem vocação de governar o estado de São Paulo. E, segundo, por conta do desgaste do governo Lula, com todos os imbróglios recentes, será uma surpresa se Haddad conseguir vencer Tarcísio, que ganhou fama de um gestor dedicado e competente desde a época do governo Bolsonaro, quando era ministro", avaliou o economista Simão Silber, professor da Universidade de São Paulo (USP). Na avaliação dele, o páreo vai ser duro. "O critério em São Paulo é assim: um terço do eleitorado vota com o governo, um terço vota com a oposição e um terço vota na última hora e decide a eleição", disse.
O cientista político Carlos Melo, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), acredita que ainda não dá para cravar a vitória de Tarcísio sobre Haddad. "Eleição não tem vencedor de véspera, sobretudo, a sete meses delas. Favoritismo é apenas uma impressão ou uma expectativa antecipada que pode, ou não, se confirmar. Só os muito ansiosos ou inexperientes fariam qualquer indicação nesse sentido. Uma aposta, simplesmente. Analistas, no entanto, não fazem apostas. O tempo dirá", avaliou o acadêmico.
Novo ministro
Aos 41 anos, o advogado Dario Durigan assumirá o comando da Fazenda como o mais novo titular da pasta. Natural de Bebedouro e formado pela Faculdade de Direito da USP e com mestrado na Universidade de Brasília (UnB), o novo ministro é da equipe de confiança de Haddad, com quem trabalhou na prefeitura de São Paulo, entre 2015 e 2016.
Durigan entrou na secretaria-executiva da Fazenda em 2023, quando Gabriel Galípolo assumiu a diretoria de Política Monetária do Banco Central e, desde o ano passado, substituiu Roberto Campos Neto no comando da autoridade monetária.
Entre 2017 e 2019, o novo ministro atuou na consultoria jurídica na Advocacia-Geral da União (AGU) em São Paulo e foi membro-fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU. Posteriormente, entre 2020 e 2023, Durigan foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. E, atualmente, integra o conselho da Vale.
Apesar de Durigan ser considerado um bom articulador por integrantes do governo e receber elogios tanto de Haddad quanto de Lula sobre a sua capacidade técnica, o fato de não ser um economista renomado e ser avesso aos holofotes, além da falta de traquejo político, pode ser um problema para a negociação das pautas econômicas com o Congresso Nacional até o fim do mandato. "Um bom ministro da Fazenda, tradicionalmente, ou é um grande economista, como era Pedro Malan, ou um técnico respeitado pelo mercado, como era o caso de Henrique Meirelles, ou alguém com grande capacidade política, como foi Fernando Henrique Cardoso", comparou um técnico da área econômica da Esplanada que pediu anonimato.
(Colaborou Francisco Artur de Lima)
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