IPCA

BC eleva projeção para inflação e ciclo de cortes da Selic fica ameaçado

Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (26/3), incertezas aumentaram e comprometem estabilidade de preços

A inflação oficial no Brasil deve ser maior do que o esperado no fim do ano, de acordo com as projeções do Banco Central. A autarquia divulgou nesta quinta-feira (26/3) o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026, que aponta para uma elevação dos preços em um horizonte de curto e médio prazo. Essa projeção ganha força diante de um cenário de instabilidade no preço do petróleo, causada principalmente pela guerra no Oriente Médio.

Na avaliação do BC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de 12 meses deve encerrar 2026 no patamar de 3,9%. No relatório anterior, a projeção era de uma inflação de 3,5% ao fim do ano. No primeiro trimestre deste ano, o IPCA acumulado saiu de 4,3% para 3,6%.

O Banco Central deixou claro que a perspectiva de aumento da inflação nesse período está relacionada diretamente à elevação do preço do petróleo no mercado internacional. Mesmo assim, a valorização do dólar e a queda marginal nas expectativas de inflação contribuíram para “atenuar” esse aumento, segundo o relatório.

Com o aumento da projeção para o IPCA, consequentemente a expectativa de um novo corte dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 28 e 29 de abril, fica ameaçada. No último encontro, o grupo reduziu para 14,75% ao ano a taxa Selic.

Ao considerar o cenário recente, o BC destaca os termos “serenidade” e “cautela” para a condução da política monetária e deixa em aberto a possibilidade de um novo corte de juros na próxima reunião, que da mesma forma que as projeções econômicas se apresentam, segue como uma perspectiva incerta.

Apesar disso, o Copom reafirma que o movimento de iniciar o ciclo de corte de juros na última reunião foi uma medida “apropriada” e ressalta que o longo período de Selic elevada propiciou um controle inflacionário e, consequentemente, uma revisão da taxa no cenário atual.

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