O varejo brasileiro registrou crescimento real de 0,6% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). Segundo a instituição de pagamentos, o resultado acabou influenciado principalmente pelo calendário, com o carnaval ocorrido em fevereiro e a Páscoa concentrada no início de abril, o que antecipou parte das compras para o fim de março.
Sem esses efeitos, o cenário seria diferente. Descontando o impacto das datas comemorativas, o índice aponta queda de 1,0%, indicando um consumidor ainda cauteloso, pressionado pela inflação e pelo alto nível de endividamento das famílias.
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O principal destaque do mês foi o comércio eletrônico, que cresceu 10,5% em termos nominais, superando com folga o varejo físico, que avançou 1,5%. O desempenho do digital acabou impulsionado por campanhas promocionais ligadas ao mês do consumidor, concentradas principalmente nas plataformas on-line.
O resultado reforça a consolidação do e-commerce como canal relevante, especialmente em períodos promocionais, quando consumidores buscam melhores condições de compra.
O desempenho do varejo variou entre as regiões. O Nordeste apresentou o maior crescimento real, com alta de 1,9%, seguido pelo Sul, com avanço de 1,4%. Já as demais regiões registraram retração.
Entre os estados, Sergipe liderou com crescimento de 6,5%, seguido por Amapá (5,0%) e Minas Gerais (4,0%). Na outra ponta, Pará teve a maior queda, de 3,4%, acompanhado por Goiás (-2,0%) e Roraima (-1,4%).
Consumo essencial sustenta atividade
Na análise por setores, os bens não duráveis lideraram o crescimento, com alta de 3,2%, impulsionados principalmente pelas vendas relacionadas à Páscoa. Já o setor de serviços recuou 3,7%, pressionado pelo desempenho de bares e restaurantes.
Os bens duráveis e semiduráveis também apresentaram queda de 1,8%, embora segmentos como móveis e eletrodomésticos tenham sido beneficiados por promoções.
O comportamento do consumidor indica priorização de gastos essenciais, como alimentação, saúde e combustíveis, em detrimento de itens de maior valor ou consumo discricionário.
Incertezas e antecipação de consumo
A alta no preço do petróleo contribuiu para mudanças no comportamento de compra. A expectativa de aumento nos custos levou consumidores a anteciparem gastos, como passagens aéreas, que subiram 5,94% no período.
Movimento semelhante foi observado no consumo de combustíveis, sugerindo preocupação com novos reajustes.
Trimestre fecha com queda no volume de vendas
Apesar do resultado positivo em março, o primeiro trimestre de 2026 terminou com retração real de 1,3% no volume de vendas do varejo. Em termos nominais, houve crescimento de 1,8%, o que indica que a inflação anulou o ganho em valores correntes.
Todas as regiões registraram queda no período, com destaque para o Centro-Oeste (-2,3%) e o Norte (-2,2%). O consumo mais fraco foi observado principalmente em setores não essenciais, como lazer, joalherias e alimentação fora do lar.
Datas comemorativas seguem relevantes
Os dados mostram que eventos como a Páscoa continuam sendo importantes para sustentar o consumo. Em 2026, a data impulsionou crescimento nominal de 11,6% no varejo, com destaque para o e-commerce, que avançou 19,0%. O desempenho reforça a dependência do varejo em relação a períodos promocionais, especialmente em um cenário de renda pressionada e maior seletividade por parte dos consumidores, segundo a Cielo.
