O chairman do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), ex-presidente da Petrobras, ex-senador e head do Lide Energia, Jean Paul Prates, defendeu nesta quarta-feira (15/4) que o mundo não pode perder a nova janela para a transição energética que apareceu com o conflito no Oriente Médio.
Segundo Prates, as consequências da guerra no Irã, que aumentou o preço do petróleo, mostram que regiões como a Europa e a Ásia, bem como o próprio Oriente Médio, não podem mais depender do combustível fóssil, e que as Américas possuem as condições para liderar no fornecimento de energia limpa.
“Para o mundo inteiro, essa expectativa vivida hoje para o pós-conflito é de uma janela de aceleração pela transição energética. Mais uma vez, o mundo não pode perder absolutamente a chance, ou voltar as costas, para a realidade nua e crua de que a Europa, Ásia, Oriente Médio mesmo, não podem apenas depender do petróleo ou gás”, declarou.
O ex-presidente da Petrobras participou do primeiro painel do 6º Brasília Summit, realizado pelo Lide e pelo Correio Braziliense, no Brasília Palace Hotel.
“As Américas, não só o Brasil, têm energia, têm fontes energéticas renováveis, têm segurança alimentar. Temos vizinhos que podem nos apoiar em situações específicas de discussões internacionais. Qualquer partido, qualquer lado que vença qualquer eleição terá que tratar disso com absoluta prioridade”, acrescentou Prates.
Ele também fez um balanço das consequências da guerra no Irã para o Brasil. O país se beneficia com o aumento da arrecadação decorrente da alta dos combustíveis e da exportação de petróleo. Porém, sofre com um processo inflacionário, que pode se agravar com o alongamento do conflito.
Prates também elogiou as medidas adotadas pelo governo federal para tentar reduzir o preço dos combustíveis, especialmente do diesel.
“A receita extraordinária dessa alta do petróleo, não seria justo se fosse revertida somente para o caixa do governo. Quando se adota as subvenções, de alguma forma está se colocando uma devolução à sociedade desse recurso extraordinário”, afirmou.
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