O Banco de Brasília (BRB) informou, na noite desta quarta-feira (22/4), que o aumento do capital social da companhia aprovado pela Assembleia Geral dos acionistas depende de homologação do Banco Central.
Conforme fato relevante do BRB, o Conselho de Administração aprovou o aumento do capital social da companhia mediante a emissão de novas ações, mas a medida ainda precisa da homologação do Banco Central. "A Companhia reafirma seu compromisso com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado", destacou o comunicado.
O objetivo com a mudança é fazer um aporte no BRB de, no mínimo, R$ 536 milhões, e o valor máximo poderá chegar a R$ 8,8 bilhões a fim de estancar os prejuízos provocados com as operações com o Banco Master, liquidado pelo BC em novembro de 2025.
No comunicado aos acionistas, o BRB destacou que a Assembleia Geral Extraordinária aprovou, nesta data, de acordo com o fato relevante, dentre outras matérias, o aumento do capital autorizado da companhia para o 2,5 bilhões de ações, “observada a proporção máxima entre espécies de ações estabelecidas pela legislação e regulamentação vigente, independentemente de reforma estatutária”.
A nota informou ainda que o Conselho de Administração do BRB aprovou a emissão de mais de 1,083 bilhão de ações ordinárias (com direito a voto) e 561,8 milhões de ações preferenciais (sem direito a voto, mas preferência no recebimento de dividendos) ao preço de R$ 5,36 cada. Esse valor é pouco mais da metade dos valores das duas últimas emissões homologadas há menos de dois anos.
A expectativa é de que o aporte seja concretizado até 28 de maio, dois dias antes da data programada para a divulgação do balanço do BRB. O balanço de 2025 deveria ter sido publicado em 31 de março e o banco adiou para 30 de maio com o intuito de reduzir as perdas do banco que estão sendo estimadas em torno de R$ 8 bilhões e que não podem ser cobertas pelo patrimônio da instituição.
O aumento de capital social é uma das medidas que o BRB vem buscando para tentar equilibrar as contas devido as perdas com as operações malsucedidas com o Master. Conforme as investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, foram identificadas R$ 12,2 bilhões de carteiras de crédito podres vendidas pelo Master para o BRB, que chegou a tentar comprar o banco privado em março de 2025, mas a operação foi vetada pelo Banco Central.
Para tentar recuperar as perdas com a carteira de crédito do Master, o BRB assinou um memorando de entendimentos com a Quadra Capital para a estruturação de fundo de investimento destinado à transferência dos ativos do Master.
A operação possui valor de referência de R$ 15 bilhões, sendo composta por uma parcela à vista de, no mínimo, R$ 3 bilhões, e de até, R$ 4 bilhões, e uma parcela remanescente estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.
Ainda de acordo com o comunicado, houve outros dois aumentos de capital do BRB recentemente homologados pelo BC. O primeiro, em 8 de agosto de 2024, no valor total de R$ 294,02 milhões, cujo preço de emissão da ação foi de R$ 8,45. O segundo, em 29 de abril de 2025, o Banco Central homologou o aumento de capital no valor total de R$ 750 milhões, cujo preço de emissão da ação foi de R$ 8,49.
Saiba Mais
-
Economia MP pede ao TCU investigar voos irregulares da FAB desde 2020
-
Economia Caixa descarta compra de ativos do BRB e detalha análise de propostas
-
Economia MCMV amplia acesso e reduz juros para baixa renda; entenda mudanças
-
Economia Apple inicia nova era sob o comando de John Ternus em meio à corrida da IA
-
Economia "Ampliamos o acesso ao crédito habitacional", diz presidente da Caixa sobre MCMV
-
Economia Tensão no Oriente Médio leva petróleo de volta acima de US$ 100
