As exportações brasileiras de insumos agrícolas alcançaram US$ 188 milhões no primeiro trimestre de 2026, o maior valor já registrado para o período. O montante inclui vendas externas de defensivos químicos, bioinsumos e sementes. Em volume, 30,9 mil toneladas de produtos foram embarcadas. O resultado representa crescimento de 8,7% em relação aos três primeiros meses de 2025.
Os dados constam na nota de abril do CropData, plataforma da CropLife Brasil voltada ao acompanhamento de indicadores do setor. O desempenho reforça o avanço da presença brasileira no mercado internacional de tecnologias voltadas ao campo. Entre os segmentos exportados, as sementes agrícolas tiveram destaque. As vendas externas somaram US$ 63 milhões no trimestre, o equivalente a um terço do total negociado. Segundo o levantamento, esse foi o melhor resultado já registrado para os três primeiros meses do ano.
O gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, afirma que os números mostram expansão do setor e maior diversificação da pauta exportadora. Segundo ele, “o portfólio exportador de sementes cresceu e se renovou”. Também destacou que culturas antes pouco relevantes nas estatísticas passaram a chegar a novos mercados em quatro continentes.
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Novos destinos e produtos
Em 2022, as exportações de sementes estavam concentradas em forrageiras, milho e hortaliças, que respondiam por 92% das vendas externas do segmento. Em 2026, essas culturas continuam na liderança, mas sua participação caiu para 82%, abrindo espaço para novos produtos.
No primeiro trimestre deste ano, o Brasil exportou sementes de nabo para o Uruguai, ricino para Congo e Quênia, sorgo para a Bolívia e melão para os Estados Unidos. Juntos, esses movimentos já representam 14% das vendas externas do segmento. A mudança indica uma ampliação do portfólio exportado e uma busca maior por novos mercados consumidores.
Defensivos seguem na frente em valor
Apesar do destaque das sementes, os defensivos químicos seguiram como principal item exportado entre os insumos agrícolas. O segmento respondeu por US$ 105 milhões em vendas externas no trimestre. Já os bioinsumos somaram US$ 21 milhões.
Os bioinsumos são produtos de origem biológica usados para controle de pragas, nutrição vegetal ou estímulo ao crescimento das plantas. Eles vêm ganhando espaço no mercado por serem alternativas complementares aos insumos convencionais.
Importações recuam
Enquanto as exportações avançaram, as importações de defensivos químicos registraram queda. As compras externas somaram US$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, recuo de 11% frente ao mesmo período do ano anterior. O volume importado caiu 8%.
Segundo o levantamento, a retração ocorreu em produtos formulados, técnicos e matérias-primas. Entre os fatores apontados está a maior participação de produtos genéricos nas compras externas, o que contribuiu para reduzir os preços médios.
O mercado brasileiro de bioinsumos também manteve trajetória positiva. Em janeiro de 2026, o setor movimentou R$ 445 milhões, alta de 3% na comparação anual. A área tratada chegou a 12 milhões de hectares, avanço de 18% sobre janeiro de 2025.
Dentro desse segmento, os bioinseticidas lideraram tanto em valor de mercado, com R$ 264 milhões, quanto em área tratada, com 5,3 milhões de hectares.
