Sondagem industrial

Preço da matéria-prima na indústria dispara com guerra no Irã, diz CNI

Com petróleo e outros insumos mais caros, índice calculado pela entidade atingiu o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022

O início do conflito no Oriente Médio provocou efeitos danosos para uma série de matérias-primas utilizadas pelo setor industrial no mundo inteiro, o que impacta diretamente a oferta no Brasil.

Dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e publicados nesta sexta-feira (24/4), mostram que o índice de evolução do preço médio das matérias-primas saltou de 55,3 pontos, no 4º trimestre de 2025, para 66,1 pontos no 1º trimestre de 2026.

Esse movimento representa um avanço de 10,8 pontos entre os dois períodos, o que faz com que o indicador chegue ao maior nível desde o segundo trimestre de 2022, quando o setor ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de Covid-19.

Os empresários também estão mais insatisfeitos com as condições financeiras das companhias. Esse indicador caiu de 50,1 pontos para 47,2 pontos nos primeiros três meses do ano.

Já o índice de satisfação com o lucro operacional recuou de 44,5 pontos para 41,9 pontos e atingiu seu menor valor desde o 2º trimestre de 2020, quando registrou 37 pontos. Outro indicador da pesquisa é o de acesso ao crédito, que também caiu em relação ao último trimestre de 2025, para 39 pontos – a pior marca em três anos. 

Carga tributária

Dentre os principais problemas enfrentados pelo setor, a elevada carga tributária é o mais citado entre os empresários da indústria, apesar de ter recuado 6,3 pontos em relação à pesquisa anterior. Por outro lado, a falta ou alto custo da matéria-prima passou da sexta para a segunda posição nesse mesmo ranking, sendo citada por 30,8% dos industriais, ante 17,3% na última sondagem. 

“A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

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