
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou qualquer ajuda da União para socorrer o Banco de Brasília (BRB), apesar das tentativas da governadora Cecília Leão (PP) de buscar ajuda do governo federal para conseguir garantias, apesar de uma nota favorável de capacidade de pagamento (Capag) junto ao Tesouro Nacional para isso. Segundo ele, o Governo do Distrito Federal (GDF) é responsável pelos problemas do BRB e a União só deverá socorrer o banco público se houver risco sistêmico, o que não é o caso.
"Não dá para cobrir um rombo que é mal explicado", afirmou Durigan, na noite desta segunda-feira, no programa Roda Viva, da TV Cultura, onde ele deu mais detalhes sobre a nova edição do programa Desenrola 2.0, lançado hoje pelo governo federal.
Para ele, a União não tem que se envolver com os problemas do BRB. "O problema do BRB é um problema do GDF. A gente não pode esquecer disso”, afirmou. Segundo ele, o BRB fez algumas operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 que quebraram o banco do DF. "E isso é responsabilidade do GDF”, acrescentou.
De acordo com o titular da Fazenda, a única hipótese em que o ministério cogitaria um socorro ao BRB é no caso de risco no sistema financeiro como um todo, o que, para ele, não é o caso.
“Se não for risco sistêmico, não tem o que falar. A única hipótese que eu cogitaria olhar para o BRB, é risco sistêmico”, frisou. O BRB ainda não divulgou o tamanho do rombo deixado pelas operações com o banco do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Conforme as investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, foram identificadas a venda de R$12,2 bilhões de carteira de créditos podres para a instituição distrital. A governadora Celina Leão tenta negociar uma garantia da União para um empréstimo do BRB de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir as perdas com as operações com o Master.
De acordo com o titular da Fazenda, não dá para a União cobrir um rombo que não é muito bem explicado. E, de acordo com Durigan, o GDF, tem formas de dar garantias junto ao FGC, sem precisar de aval da União, utilizando, por exemplo, os recursos do Fundo Constitucional do DF como garantia. Saída semelhante foi apontada pela economista e especialista em contas públicas Selene Peres Nunes, em entrevista ao Correio.
- Leia também: GDF pode ser a garantia do BRB, segundo economista
Caso Master
Em relação ao escândalo das fraudes do Banco Master, o titular da Fazenda parafraseou seu antecessor, o ex-ministro Fernando Haddad e disse que o foi o maior escândalo do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e reforçou que o caso foi “bem grave” e os bancos tiveram que ratear o prejuízo de mais de R$ 50 bilhões no FGC.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
“É muito grave o que aconteceu com o Banco Master. Não tenho nada para amenizar”, disse ele, jogando a responsabilidade sobre os ombros do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. “A responsabilidade é de quem acompanhou o processo de autorização do Banco Master até as últimas aprovações de aquisições de banco de 2019 a 2024. Acho que é importante olhar dessa forma”, afirmou. Para ele, a lei tem que ser exercida “e colocada em prática com rigor”.

Economia
Economia
Economia
Economia
Economia
Economia
Economia