
Produtos de beleza, chocolates e cestas de café da manhã são apenas alguns dos presentes que a maioria dos brasileiros deve entregar neste Dia das Mães. Pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pela QuestionPro revela que 9 em cada 10 brasileiros pretendem dar um presente na data, o que representa 143 milhões de pessoas. Segundo os pesquisadores, o percentual é maior do que o índice de brasileiros que declararam ter presenteado alguém na mesma data do ano passado.
Segundo o levantamento, os brasileiros da classe C — também chamada de classe média — devem ser os principais responsáveis por impulsionar o comércio varejista neste ano, com 89% desse grupo afirmando que já compraram ou ainda pretendem comprar presentes. Já nas classes A e B, esse percentual é de 87%, enquanto nas classes D e E ele chega a 82%. A pesquisa também mostra que, nas classes mais altas, 93% das mães esperam receber presentes, enquanto nas classes D e E esse percentual é bem menor, de apenas 74%.
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Fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles lembra que o Dia das Mães é a segunda data mais importante do varejo brasileiro, atrás apenas do Natal. Além disso, a comemoração, realizada no segundo domingo de maio, tem grande força por mobilizar praticamente todas as classes sociais e diferentes formatos de comércio.
“Para o varejo, é uma data que exige planejamento de estoque, reforço de equipe, vitrines temáticas, kits prontos, promoções, parcelamento, entrega rápida e variedade de preços. A grande disputa está em oferecer presentes que caibam no bolso e, ao mesmo tempo, carreguem significado”, destaca.
Apesar de o dia ser oficialmente dedicado às mães, a data também mobiliza brasileiros a comprar presentes para pessoas com outros vínculos familiares e afetivos, como namoradas ou esposas, lembradas por 25% dos entrevistados, além de sogras (21%) e irmãs, tias ou primas (11%). Meirelles destaca que, embora a mãe continue sendo a principal homenageada, a data também alcança outras mulheres que ocupam papéis de cuidado dentro das famílias.
“Isso diz muito sobre o Brasil. A maternidade, na prática, nem sempre cabe em uma definição biológica. Muitas mulheres exercem esse papel no cotidiano, cuidando, sustentando, acolhendo e organizando a vida familiar. O Dia das Mães acaba celebrando essa rede de cuidado que mantém tantas famílias de pé”, destaca o presidente do instituto.
A pesquisa, que ouviu 1 mil pessoas entre os dias 26 de março e 6 de abril, também evidencia a preferência dos brasileiros por presentear as mães com cosméticos, que foram citados por mais da metade (52%) dos participantes da sondagem, além de roupas e acessórios, lembradas por 46% dos entrevistados. Outros itens que não devem ficar de fora nessa data são chocolates (41%), flores (34%), cestas de café da manhã ou alimentos gourmet (30%) e calçados (26%).
Movimentação financeira
Uma estimativa publicada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o Dia das Mães deste ano deve movimentar R$ 14,47 bilhões em 2026. Se for confirmada a projeção, o setor apresentaria avanço de 1,5% em relação ao faturamento registrado na mesma data do ano passado. Apesar da perspectiva de crescimento, a entidade avalia que esse avanço poderia ser ainda maior, não fosse outros fatores como o encarecimento do crédito e maior endividamento das famílias.
“Embora o setor apresente um avanço quando comparado com 2025 e a previsão de mais de 25 mil trabalhadores temporários, é preciso observar com cuidado o ritmo de crescimento do varejo nos próximos meses. A alta do combustível, com os reajustes que ela traz, e a revisão das projeções de menor queda para a taxa Selic trarão cautela em todos os setores da economia”, analisa o presidente da CNC, José Roberto Tadros.
Para o economista-chefe da entidade, Fábio Bentes, a deterioração das condições de crédito elevou os índices de inadimplência e endividamento, o que explica a retração nas vendas na comparação entre a atual edição do Dia das Mães e a última em setores que dependem de algum tipo de financiamento.
“Atualmente, a taxa média de juros de 62% ao ano se encontra no maior patamar desde 2017 para esta época do ano o que, somado às incertezas de uma melhoria nas condições financeiras da população, acaba inibindo um investimento maior em contratações e, por assim dizer, o desempenho do varejo na data”, explica Bentes.
Comércio eletrônico
Um dos setores que devem ter um avanço menor em 2026 é o comércio eletrônico, como revela uma projeção da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-Commerce (Abiacom). A entidade estima que a data deve movimentar R$ 11 bilhões no setor, com um crescimento esperado de 10,8%. Embora seja um avanço significativo, é menor do que o aumento de 15% registrado no ano anterior.
Com as projeções mais cautelosas e um cenário adverso em relação ao endividamento e poder de compra das famílias, o especialista em vendas e CEO da Colina Tech, Lucas Trindade, acredita que as marcas devem buscar uma abordagem mais “refinada” para atrair o consumidor.
“O consumidor está mais atento aos seus gastos, mas isso não significa menos oportunidades. Significa que as estratégias precisam ser mais precisas, focadas em valor real e em experiências que justifiquem a compra. As marcas que conseguirem fazer isso com precisão vão se destacar mesmo em um ambiente de crescimento mais moderado”, avalia.

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