Comércio exterior

UE barra importações de carne do Brasil em nova lista sanitária

Bloco europeu excluiu o país da relação de exportadores autorizados sob regras mais rígidas sobre antibióticos na pecuária. Decisão pode ser revista futuramente

Em 2025, o Brasil vendeu US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de frango ao bloco, que reúne 27 países -  (crédito: divulgação/ seapa mg)
Em 2025, o Brasil vendeu US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de frango ao bloco, que reúne 27 países - (crédito: divulgação/ seapa mg)

A União Europeia (UE) divulgou nesta terça-feira (12/5) uma lista de países autorizados a exportar carne para o bloco dentro das novas regras de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil ficou de fora da relação, que foi validada pelos Estados-membros e inclui países como Argentina, Colômbia e México, considerados em conformidade com as exigências sanitárias europeias.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não foi incluído por ainda não ter apresentado garantias suficientes sobre a restrição ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal. Apesar disso, autoridades do bloco afirmam que a lista poderá ser revista futuramente, caso as pendências sejam atendidas.

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A UE é um importante destino das exportações brasileiras de carne. Em 2025, o Brasil vendeu US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de frango ao bloco, que reúne 27 países, consolidando-se como o segundo maior mercado, atrás apenas da China, responsável por US$ 9,8 bilhões no mesmo período.

A decisão ocorre em meio a pressões de agricultores europeus e de países como a França, após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, em 1º de maio. O tratado ainda aguarda definição judicial sobre sua validade no bloco europeu.

Regras reduzem uso indevido de antibióticos

A divulgação da lista foi interpretada como uma resposta às críticas do setor agrícola sobre a concorrência externa. O comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen, afirmou que os padrões sanitários do bloco são rigorosos e que é legítimo exigir que produtos importados cumpram os mesmos requisitos aplicados internamente.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou Hansen.

Pelas regras da União Europeia, é proibido o uso de antimicrobianos em animais com o objetivo de acelerar o crescimento ou aumentar a produtividade. A legislação também veta antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas. As restrições integram a estratégia do bloco para conter a resistência bacteriana e reduzir o uso considerado indevido de antibióticos na produção pecuária.

  • A carne bovina é suscetível a fraudes como a adição de água para aumentar o peso e a substituição de cortes inferiores por cortes mais caros. Essas práticas fraudulentas são impulsionadas pela alta demanda e pelos lucros potencialmente elevados.
    Em 2025, o Brasil vendeu US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de frango ao bloco, que reúne 27 países Foto: Divulgação
  • A carne bovina é suscetível a fraudes como a adição de água para aumentar o peso e a substituição de cortes inferiores por cortes mais caros. Essas práticas fraudulentas são impulsionadas pela alta demanda e pelos lucros potencialmente elevados.
    A carne bovina é suscetível a fraudes como a adição de água para aumentar o peso e a substituição de cortes inferiores por cortes mais caros. Essas práticas fraudulentas são impulsionadas pela alta demanda e pelos lucros potencialmente elevados. Foto: Divulgação
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postado em 12/05/2026 14:21
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