CONSUMO

Varejo tem pior resultado em mais de um ano; Nordeste registra maior queda

Levantamento da Cielo mostra queda de 3% no varejo em abril, pressionado pela inflação, calendário desfavorável e perda de renda das famílias

Segundo a Cielo, a dinâmica da Páscoa teve impacto importante no desempenho do comércio em abril. Neste ano, a data ocorreu logo no início do mês, o que antecipou parte das compras para março -  (crédito: Flow)
Segundo a Cielo, a dinâmica da Páscoa teve impacto importante no desempenho do comércio em abril. Neste ano, a data ocorreu logo no início do mês, o que antecipou parte das compras para março - (crédito: Flow)

O varejo brasileiro recuou 3,0% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação. Os dados são do Índice Cielo do Varejo Ampliado, o ICVA, divulgado pela Cielo.

Segundo o levantamento, o resultado reflete um cenário de inflação mais alta, maior comprometimento da renda das famílias e mudanças no calendário de datas comerciais. Foi o pior desempenho do setor em mais de um ano. Em março de 2025, a retração havia sido de 3,8%.

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A pesquisa aponta que o consumidor ficou mais cauteloso diante do aumento do custo de vida, principalmente em itens essenciais, como alimentação e combustíveis. "O resultado de abril mostra um consumidor mais seletivo e atento ao orçamento", afirmou o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves.

A dinâmica da Páscoa teve impacto importante no desempenho do comércio em abril. Neste ano, a data ocorreu logo no início do mês, o que antecipou parte das compras para março.

Em 2025, além de a Páscoa ter ocorrido mais tarde, houve emenda com o feriado de Tiradentes. Isso favoreceu setores ligados ao lazer, alimentação fora de casa e turismo. Com isso, a base de comparação deste ano ficou mais difícil para o varejo, especialmente nos segmentos considerados não essenciais.

Nordeste teve maior queda nas vendas

Todas as regiões do país apresentaram retração nas vendas em abril. O Nordeste registrou o pior desempenho, com queda de 4,7%. Em seguida aparecem Norte, com recuo de 3,8%, Sudeste, com 3,4%, e Sul, com 2,7%.

O Centro-Oeste teve a menor retração, de 1,4%, sendo a região mais resistente à desaceleração do consumo. Entre os estados, o Amapá teve o melhor resultado do país, com crescimento de 2,7%. Rondônia avançou 0,2%. Minas Gerais apresentou retração de apenas 0,6%, perto da estabilidade.

Na outra ponta, os piores resultados foram registrados no Piauí, com queda de 7,7%, Rio Grande do Norte, com 6,6%, e Pernambuco, com 5,5%.

O comércio eletrônico foi o principal destaque positivo do mês. As vendas no e-commerce cresceram 6,5% em termos nominais, sem descontar a inflação, na comparação anual. Já o comércio físico teve alta de apenas 0,2%, indicando maior cautela dos consumidores nas compras presenciais.

Segundo Carlos Alves, o ambiente econômico mais pressionado favorece decisões de compra mais racionais. "O canal digital se beneficia justamente da facilidade de comparação de preços, da conveniência e da ampliação da oferta logística em diversas regiões do país", afirmou.

Serviços e bens duráveis lideram perdas

Entre os grandes setores analisados pelo ICVA, o de serviços apresentou a maior queda real, de 5,5%. O segmento foi afetado principalmente pela redução no consumo em alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Já o setor de bens duráveis e semiduráveis caiu 4,9%. Vestuário, artigos esportivos, móveis e eletrodomésticos estiveram entre os segmentos com pior desempenho.

O grupo de bens não duráveis teve retração menor, de 1,6%. Drogarias e farmácias foram destaque positivo, enquanto postos de gasolina sofreram pressão da alta nos combustíveis.

Inflação também pressionou o consumo

O levantamento destaca ainda o impacto da inflação sobre o consumo das famílias. Em abril, o IPCA-15, indicador prévio da inflação oficial calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, avançou 0,89%. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 4,37%.

Segundo a Cielo, alimentação e transportes concentraram cerca de 65% da alta mensal da inflação, impulsionados principalmente pelos preços dos combustíveis e dos alimentos consumidos dentro de casa.

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postado em 12/05/2026 12:41 / atualizado em 12/05/2026 12:42
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