
O acordo entre Mercosul e União Europeia deve ampliar a presença brasileira no comércio internacional e já pode gerar impactos a partir de maio, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. Em entrevista a agências internacionais nesta quinta-feira (23/4), ele estimou alta de até 13% nas exportações quando o tratado estiver totalmente implementado.
Às vésperas da entrada em vigor parcial do acordo, prevista para 1º de maio, o governo brasileiro aposta na redução de tarifas como principal motor desse crescimento. Segundo Alckmin, cerca de 5 mil produtos terão imposto de importação zerado já nesta primeira fase, o que deve gerar “impacto importante” sobre o fluxo comercial. "A degravação é gradual, mas você tem aí perto de 5 mil produtos que a partir do dia 1º de maio estão zerados o imposto, então você vai ter aí um impacto importante", disse Alckmin.
A abertura de mercado será gradual e deve se estender por até 12 anos, período necessário para a completa eliminação de barreiras tarifárias entre os dois blocos. Ainda assim, alguns setores devem sentir efeitos imediatos, como frutas, açúcar, carne bovina e de frango, além de segmentos industriais ligados ao maquinário.
Para a indústria brasileira, o ganho tende a ser ainda mais expressivo. A estimativa apresentada pelo vice-presidente aponta para um avanço de até 26% nas exportações do setor, refletindo maior competitividade frente ao mercado europeu.
Apesar do otimismo, o próprio governo reconhece que o acordo também deve impulsionar as importações, ampliando a concorrência interna. Hoje, o comércio entre Brasil e União Europeia gira em torno de US$ 100 bilhões, com leve superávit europeu de aproximadamente US$ 500 milhões.
Projeções oficiais indicam efeitos positivos já no curto prazo. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) estima um incremento de até US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira no primeiro ano de vigência. Já estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta que o acordo pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 0,46% entre 2024 e 2040 — o equivalente a mais de US$ 9,3 bilhões.
O tratado, no entanto, não avança sem resistências. Países como a França questionaram o acordo no Tribunal de Justiça europeu, o que mantém a entrada em vigor em caráter provisório. Além disso, regras de salvaguarda previstas no texto — que permitem suspender importações caso haja aumento superior a 5% em relação à média recente — geraram reação do setor agrícola brasileiro.
Alckmin minimizou as críticas e destacou o caráter bilateral das medidas. “A salvaguarda vale para os dois lados. Então, se tiver um pico de importação, tanto o Mercosul quanto os países da União Europeia podem pedir uma suspensão temporária. É um acordo equilibrado”, afirmou.
O avanço do tratado também marca uma retomada da agenda comercial do bloco sul-americano. Após mais de uma década sem novos acordos, o Mercosul fechou negociações recentes com Cingapura e o bloco Efta, além de manter tratativas em andamento com países como Canadá e Emirados Árabes Unidos.
Há ainda expectativa de expansão do próprio bloco. A Bolívia está em processo de adesão, a Colômbia manifestou interesse em participar, e a situação da Venezuela — atualmente suspensa — pode voltar a ser discutida.

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