
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil é um dos países menos impactados pela guerra no Oriente Médio, principalmente em relação aos preços dos combustíveis. Desde o início do conflito, com o fechamento do Estreito de Ormuz, o abastecimento de petróleo no mundo inteiro sofreu um impacto relevante, em razão da região ser responsável por cerca de um quinto da commodity produzida globalmente.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (25/5), durante a coletiva de apresentação do 5º leilão do programa Ecoinvest, destinado à promoção da inovação tecnológica no país no contexto da nova economia global. Durigan comparou a posição atual do Brasil em relação a outros países emergentes que sofreram de forma mais acentuada com a restrição global de combustíveis.
“Por exemplo, na Índia, eles estão discutindo racionamento de combustível. Nós não estamos discutindo racionamento de combustível no Brasil. Na Coreia do Sul, eles estão tabelando o preço. Em vários outros países, como no Chile, a gente tem 85% de aumento do preço de combustível. Na África do Sul, 150%. Aqui no Brasil, a gente teve um aumento de 20%”, destacou o ministro.
De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), com base no levantamento de preços da entidade, o diesel comum subiu 13%, enquanto que o diesel S-10 avançou cerca de 15% desde o início do conflito nos postos de abastecimento. No mesmo período, a gasolina comum registrou uma valorização média de 5,13%, ao passo que o etanol subiu 7,77%.
Para o chefe da pasta, o investimento do país em biocombustíveis que remonta ao primeiro choque do petróleo, na década de 1970, quando o então governo criou o ProÁlcool, além da exploração do Pré-Sal a partir dos anos 2000 contribuíram para que o país tivesse uma dependência menor dos produtos externos.
“O Brasil não pode ser sócio da guerra para minimizar o efeito pra população. Isso tem dado certo. Ainda que, infelizmente, uma guerra distante, que não está sob nosso controle, tenha gerado, sim, impactos. Basta reparar nos dados de inflação, na pressão sobre a política monetária, o impacto vem, mas no Brasil ele é menor que em outros lugares do mundo”, acrescentou Durigan.

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