Indicadores

Faturamento da indústria cresce quase 10% no primeiro trimestre, indica CNI

Utilização de capacidade dos parques fabris, no entanto, ficou ainda menor e permanece abaixo da média, mostra pesquisa

Após um ano fraco, a indústria mostrou sinais de recuperação no início de 2026, como mostram os dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e publicados nesta sexta-feira (8/5). A pesquisa Indicadores Industriais revela que houve um crescimento de 9,8% no faturamento do setor no primeiro trimestre do ano, na comparação com os últimos três meses de 2025.

Mesmo com o resultado positivo, o setor ainda acumula uma queda de 4,8% na comparação com os três primeiros meses do ano passado. Em relação ao mês anterior, o faturamento da indústria de transformação avançou 3,8% em março.

Na avaliação do gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a demanda por bens industriais começou a perder força por conta da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, o que, segundo ele, contribuiu para a queda do faturamento na comparação ano-a-ano. “Essa comparação reflete muito essa perda de dinamismo da economia ligada à queda da demanda trazida pelas taxas de juros que ficaram em elevação boa parte de 2025”, considera.

Ainda de acordo com a sondagem, o número de horas trabalhadas também subiu pelo terceiro mês seguido. O índice avançou 1,4% em março, após registrar altas de 0,8% em janeiro e de 0,6% em fevereiro. Mesmo assim, no acumulado no 1º trimestre do ano, as horas trabalhadas na produção recuaram 1,5% na comparação com o mesmo período em 2025.

Já o indicador de Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu 0,3 ponto percentual em março, e passou de 77,5% para 77,8%, na comparação mês a mês. Na avaliação do gerente de análise da CNI, o fato de a utilização estar abaixo da média é um fator preocupante para o setor, “uma vez que mostra que há uma certa ociosidade na indústria”.

“Então, a indústria tem o maquinário, tem o pessoal, mas vem produzindo menos do que pode, por conta de uma demanda mais fraca, e isso é uma preocupação porque vai segurando os investimentos. Não há expectativa de crescimento de investimento em aumento dessa preocupação se há espaço para crescer com a produção com a capacidade já disponível”, acrescenta Azevedo.

Mais Lidas